— Quero de dê folga coletiva de uma semana para todos os funcionários — avisei Aayush — e que desligue todo o sistema das câmeras de segurança. Para nossa funcionária ilustre diga que estou na fossa. E que precisarei muito dela nesse momento difícil da minha vida. E que ela é a única em quem confiamos no momento.
Aayush arqueou uma sobrancelha:
— É para... o que estou pensando, senhor?
— Eu não sei o que você pensa, Aayush. E sinceramente, nem quero saber.
Ele respirou fundo:
— O senhor... precisa se alimentar ou vai ficar doente. E fraco.
— Pouco me importo.
— Não esqueça que tem Davi que precisa do senhor.
— Pela primeira vez na vida eu sei que, se caso acontecer algo ruim comigo, Davi não estará sozinho. Maria Fernanda o ama. E sempre cuidará do meu filho.
— O senhor não está pensando em...
— Não, não estou pensando em me matar. Sou muito jovem para isso.
— O senhor não é... tão jovem assim.
— Está tentando dizer que está na hora de eu ir dessa para uma melhor?
— Não foi o que eu quis dizer.
— O que você quis dizer então, Aayush?
— Eu só quis dizer que o senhor é velho.
Atrevido, filho da puta! Era isso que Aayush estava se tornando.
— Tenho 35 anos. Não sou velho. — me dei ao trabalho de justificar.
— O senhor tem 35 anos há 4 anos.
— Você que é velho, Aayush. E um velho esquecido, já que não lembra mais a minha idade.
— Fazer aniversário não é ruim, senhor Enzo. Devemos comemorar mais um ano de vida a cada virada de ciclo.
Lembrei de Maçãzinha e suas curiosidades sobre a Índia. E eis que me surgiu a primeira.
— Como se comemoram os aniversários na Índia, Aayush? — eu quis saber.
Ele franziu a testa. Depois sorriu:
— Os aniversários na Índia são celebrações significativas, misturando rituais hindus tradicionais com práticas modernas. Geralmente envolvem acordar cedo, ir ao templo, receber bênçãos dos mais velhos, que incluem marcar a testa com cúrcuma, e compartilhar doces. As festas incluem comida vegetariana farta, vizinhos e, ocasionalmente, o ritual de raspar o cabelo em crianças.
— Por que raspar o cabelo das crianças?
— Simboliza a remoção de energias negativas e vidas passadas. É mais comum entre as famílias hindus.
— E você pertence à uma família hindu, Aayush?
— Assim como 80% da população da Índia, eu sou hindu. Mas faz anos que moro em Noriah, então me considero também parte desse lugar atualmente.
— Se um dia você contar ao Davi sobre essa história de raspar os cabelos, eu te mato, Aayush.
Ele riu:
— Acho que depois de ter feito a barba e parado no hospital, o menino Davi não vai mais se arriscar a mexer com lâminas.
Respirei fundo e, com peso no coração, disse:
— Obrigada por tudo, Aayush. Você foi um incompetente. Mas um incompetente que preencheu parte da minha vida. Foi um prazer tê-lo como meu assistente por todos esses anos. E quer saber? Eu não me arrependo de tê-lo tirado de Zadock e perdido um bom dinheiro com isso.
— O senhor vai morrer? Após ouvir a história da passagem de ciclo na Índia decidiu aceitar seus anos de vida não comemorados e ficar idoso e morrer de velhice?
— Eu já disse o quanto você é filho da puta, Aayush?
Ele riu:

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