— O que quer que eu faça, senhor?
— Você protegerá Maria Fernanda e Mary. A partir de agora, não se afastará um passo da minha esposa e da minha filha.
Aayush me olhou por alguns segundos, depois desviou o olhar.
— Vai fazer isso por mim, Aayush? Eu sei que você gosta de Maria Fernanda. Então... não será um fardo cuidar dela e de Mary.
— Senhor Enzo — ele suspirou — eu gosto de Maria Fernanda. Ou melhor, gostei.
— Não gosta mais?
— Eu... acho que cheguei a me apaixonar por ela.
Caralho! Mil vezes caralho! Ou eu era muito ingênuo, ou Aayush um hipócrita manipulador.
Eu já não tinha mais o que dizer. Nos últimos dias passei por tantas coisas que a revelação de Aayush não me pareceu ser a pior coisa do mundo. Aliás, se ele me dissesse que estava junto com Shirley e Pietra no plano contra mim, eu nem me surpreenderia.
Mais uma vez, eu fui traído. Traído pelo único homem em que eu confiei na vida.
— Mas hoje eu sei que confundi os sentimentos, senhor Enzo.
Dei de ombros:
— Talvez não tenha confundido e realmente a ama.
— Não. Eu realmente confundi os sentimentos. E... Maria Fernanda jamais amará alguém além do senhor.
Eu meneei a cabeça e ri, sem humor:
— Sinceramente, por mais raiva que eu sinta de você, Aayush... te compreendo.
— Compreende? — ele arqueou uma sobrancelha.
— Sim. É muito fácil se apaixonar pela minha Maçãzinha — meus lábios se alargaram num sorriso — porque ela é apaixonante.
— Eu sei.
O encarei:
— Como está sendo sincero e nada do que disser vai mudar o que eu penso ou os planos que fiz com você... poderia me dizer que se vocês dois... tiveram alguma coisa? Tipo... beijo, sexo, sentimentos por parte dela?
— Nada, senhor Enzo. Nenhum toque. O máximo que fizemos foi conversar... geralmente sobre os costumes do meu país — ele sorriu — a sua Maçãzinha é muito curiosa.
Senti um alívio imediato. Eles não tinham se envolvido.
— Eu... sei que mais cedo ou mais tarde Maria Fernanda seguirá sua vida e amará alguém. Não tenho dúvidas do amor que ela sentiu por mim, mas sou ciente de que o que eu fiz matou todo o sentimento que Maçãzinha tinha. Eu envenenei, dia a dia, todo o amor que ela me deu. E, sinceramente, se for para ela se envolver com alguém, eu realmente gostaria que fosse você ou o garoto zumbi.
— O senhor não pode estar falando sério!
— Eu realmente não gostaria de estar falando isso. Mas já não tenho alternativas, Aayush. Perdi a minha Maçãzinha... para sempre. E eu aceito isso.
— Não vai lutar por ela, caralho?
— Caralho! — eu ri — Você fala palavrões, Aayush. E respira, se alimenta e provavelmente fode. E acredito que tenha desejado foder a minha esposa. Ou seja, você não é um robô. E é uma pena, porque robôs a gente simplesmente retira a bateria e eles param de funcionar. E você funciona. E vai tentar comer a minha esposa.
— Eu não farei isso.
— Se você não fodê-la, alguém fará isso. — eu ri, sem humor — e é por isso que me manterei afastado dela. Porque não quero assassinar cada um que cruzar o seu caminho. Se eu for preso, Davi e Mary ficarão sem pai. Então... se ela foder com você ou o garoto zumbi, eu nunca vou saber. Porque não terão coragem de contar. Você porque terá pena de mim. E o garoto zumbi por medo.
— Entenda que a sua Maçãzinha jamais se envolverá com alguém, senhor Enzo. Ela te ama e todo mundo sabe disso.
— Amou. Não ama mais. Eu vi a raiva nos olhos dela, Aayush.
Respirei fundo e me aproximei da janela:
— É hora de você partir, Aayush. Quero que deixe Davi num lugar seguro. Talvez eu desapareça por alguns dias.
Ele assentiu:
— Farei isso, senhor. E... me desculpe por qualquer coisa. Eu... realmente não fiz por mal. Sempre quis o seu bem... e o do menino Davi.
— Eu... acho que acredito. Ou ao menos prefiro acreditar.
— Eu acho que... só existe um lugar onde Davi ficaria em segurança.
O encarei:
— Zadock?

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