Era difícil fazer uma escolha. Meu corpo e coração escolhiam Enzo. Mas minha consciência escolhia Michael.
Acontece que, em momento algum, aquilo realmente era uma questão de escolha. Era prudência. Enzo tinha me feito sofrer e me mandado embora.
Michael nos últimos tempos tinha voltado a ser o meu melhor amigo e eu já tinha entendido que, não importava o que fizesse, jamais voltaria a sentir por ele o que senti antes.
E eu esperava qualquer coisa daquele momento. Menos o que de fato aconteceu.
Enzo beijou nossa filha carinhosamente e me entregou-a:
— Papai te ama muito, minha anãzinha. — tocou a ponta do dedo indicador no narizinho dela, que sorriu para ele.
Não entendi porque ele me entregou Mary.
— Fique atento a tudo a partir de agora. — Enzo olhou para Michael — especialmente visitas de desconhecidos. A mãe de Davi está à solta. E ela é perigosa. Deixei dois seguranças armados próximos da casa. E Aayush está atento a tudo. Ainda assim... todo cuidado é pouco. Amanza costuma ferir quem ela sabe que eu amo.
Michael abriu a boca para dizer algo, mas não disse. Assim como eu, acho que ele também ficou surpreso por Enzo estar de despedindo sem ao menos brigar para ocupar o seu lugar ao meu lado.
Enzo alisou minha bochecha:
— Estou fazendo o possível para protegê-la. Mas ambos sabemos que tenho sido péssimo nas minhas tentativas de proteção. Tenho sido muito falho com você, Maçãzinha, desde que a conheci.
Sim, ele tinha sido falho. E me machucou muito. E pôs a minha vida e a da nossa filha em risco. E eu tentei odiá-lo por isso. Mas não conseguia. Eu tinha dezenas de motivos para culpá-lo. E 520 para perdoá-lo.
— Enzo... se Amanza quiser falar comigo, eu falarei com ela.
— Não, você não falará.
— Eu... não tenho medo dela.
— Não entende que ela tentou matar o próprio filho? O que acha que ela faria com você, caralho? — ele alterou a voz e Mary começou a chorar.
Enzo passou as mãos no rosto. O suor escorria por suas têmporas. Falar em Amanza o incomodava muito. E o deixava totalmente desconsertado.
Respirou fundo, parecendo tentar se controlar. Depois olhou para Michael:
— Cuide delas. E... bom almoço para vocês.
Enzo saiu pela porta e levou o meu coração. Sério que deixou Michael ficar comigo e não fez nada a respeito?
Enzo ainda me amava, afinal? Dizia que sim, mas eu sabia o quanto podia haver mentira nas palavras. Eu mesma proferia que o odiava e no fundo o amava mais do que tudo na vida.
— É impressão minha ou você preferia a companhia dele do que a minha?
Botei a caixa de pizzas sobre a mesa e peguei uma. Comeria com a mão, como sempre fiz, sem uso de pratos ou talheres.
— Você acha falta de etiqueta comer pizza assim? — provei, fechando os olhos de prazer. Estava perfeita, assim como o homem que encomendou.
Na verdade, Enzo não era e nunca seria perfeito. Mas eu ainda não tinha mudado meus sentimentos, aqueles em que eu o amava em todas as suas versões.
— Falta de etiqueta? — Michael pegou Mary dos meus braços, percebendo minha dificuldade em segurá-la e comer ao mesmo tempo. — Desde quando você se preocupa com isso?
Não respondi. Mas o meu silêncio dizia tudo.
— Você ainda o ama, mesmo depois de tudo que ele fez. — Michael afirmou.
Dei de ombros:
— Amo Enzo e amarei para sempre. Mas isso não significa que irei perdoá-lo.
— Você já perdoou.

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