Levantei, atordoada:
— É claro que sim. Eu só fiz uma brincadeira. Vamos.
Enzo me acompanhou, com a porra daquele perfume que me trazia lembranças perfeitas e odiosas.
Pus a mão na maçaneta ao mesmo tempo que ele. Ficamos olhando para nossos dedos. O meu com um coração tatuado. O dele com uma alusão ao meu nome. Enzo ficava bem de tatuagem.
Enzo pegou meus ombros, pondo-me contra a porta. Meu corpo inteiro reagiu ao toque dele.
— Algum dia você irá me perdoar?
— No dia de São Nunca.
Ele arqueou uma sobrancelha:
— Mas eu te amo tanto.
— Você é como cigarro, Enzo: causa dependência, ansiedade, sensação de alívio temporário e danos a longo prazo.
— Você já fumou, Maçãzinha?
— Claro que não.
— Eu acho... que sim. Eu já vi, inclusive. — ele foi vindo de encontro aos meus lábios, mas agachei-me, desvencilhando-me dele.
— Você não vai me convencer com meia dúzia de beijos, Enzo.
— Nem pensei em beijos. Achei que uma foda resolveria tudo.
Não contive o riso, incrédula:
— Você nem é tudo isso!
Ouvimos o chorinho vindo do quarto e abri a porta imediatamente. Antes que eu chegasse no berço, Enzo já estava lá, sorrindo enquanto pegava Mary em seus braços.
— Como você está, meu amor? — beijou a testa dela com delicadeza — perdoe o papai, mas eu tive que resolver algumas coisas. Mas não aguentei mais de saudade de você e da mamãe. E tive que vir.
Senti um frio na barriga e a porra das 520 borboletas saindo da gaiola. Como eu era fraca frente àquele homem. Bastava Enzo sorrir e eu me derretia internamente. Em todos os sentidos... e em todos os órgãos.
Enzo me olhou:
— Ela é tão pequenina. Parece uma boneca.
— Espero que você não a trate como o seu brinquedo... usando e depois jogando fora.
Ele franziu a testa:
— Tem brinquedos que a gente não se desfaz nunca. Porque são especiais.
Respirei fundo e tentei pegar Mary dos braços dele:
— Preciso trocar a fralda dela.
— Eu troco.
— Você? — eu ri, surpresa — vai mesmo fazer isso?
— Por que não? Acha que eu nunca troquei fraldas? — ele a colocou de novo no berço.
Mary sorriu para ele. E parou de chorar no exato momento em que o pai a pegou no colo.
— Você viu que ela parou de chorar quando me viu? — Enzo disse exatamente o que eu pensei.

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