POV Enzo
— Tenho quase certeza de que é ela — falei.
Aayush ergueu a sobrancelha, daquele jeito paciente que me irritava profundamente.
— “Quase certeza” é o seu novo “bom dia”, senhor?
Ignorei o comentário dele, que nem merecia réplica:
— Ela sabia demais, Aayush — continuei. — Quando mencionei o Zolpidem, não perguntou o que era. Não fingiu ignorância. Explicou com exatidão os efeitos. E com extrema naturalidade. As outras candidatas me olharam como se eu tivesse falando em outro idioma.
— Maria Fernanda estudou enfermagem, senhor. Talvez seja só alguém que fez a lição de casa bem-feita.
— Enfermeiras não costumam discorrer sobre amnésia anterógrada como quem explica o clima.
Aayush cruzou os braços:
— Ou costumam, quando são boas no que fazem.
Ignorei.
— Ela foi ao banheiro várias vezes.
— Pessoas... vão ao banheiro.
— Pessoas não desaparecem por longos períodos, Aayush. E não voltam com informações precisas sobre sedativos.
— Talvez realmente não voltem... porque está gravado na memória — disse ele, seco. — Se trabalham com isso.
Davi passou correndo entre nós, segurando um carrinho grande demais para a velocidade que andava e com um cachorro gigante o acompanhando no mesmo ritmo.
— Cuidado, filho — avisei.
— Papai, tô testando a aerodinâmica! — gritou, antes de o cachorro ultrapassar por baixo de suas pernas, o fazendo escorregar e parar debaixo da mesa.
Aayush olhou para Davi:
— Teste aprovado?
— Totalmente — respondeu Davi, debaixo da mesa. — Mas preciso de um impulso maior, Aayush.
— Não — eu disse, automático.
— Só um pouquinho, papai.
— Não.
— Papai…
Suspirei:
— Um impulso pequeno. Da altura do sofá. Não se jogue da janela do terceiro andar, por favor.
Davi sorriu, vitorioso:


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO