O silêncio prevaleceu até que parássemos o carro há duas quadras do endereço.
Andamos até o galpão antigo, abandonado, que parecia não esconder nada, mas que abrigava o meu filho. Havia uma luz fraca em uma das janelas laterais. Não tinha movimento. Era o tipo de lugar que parecia não chamar a atenção de ninguém. E pelo jeito a equipe do Papai Noel era discreta.
Três duendes, talvez quatro. Mal sabiam que precisavam de no mínimo uns mil duendes para conter os Asheton.
Ajustei o punho da minha arma e quando olhei para Zadock, ele já se movia pela lateral, contornando o galpão para cortar a saída dos fundos.
Se poderíamos ter mandado alguém fazer aquilo e não nos expormos nem colocar nossas vidas em risco? Sim, podíamos. Podíamos se confiássemos em alguém. Mas já não era o nosso caso.
Nos últimos tempos, Zadock assim como eu, só confiava na própria arma.
Entrei pela porta principal. Dei um chute e ela cedeu facilmente. Amadores, filhos da puta. Acho que suicídio era o que definia o que queriam ao tocar no meu filho. Certamente aqueles homens estavam com sérios problemas e decidiram se matar. Mas como não tinham coragem de apertar o gatilho, decidiram contar com a ajuda dos Asheton.
Deparei-me com o primeiro suicida, distraído, com um celular na mão. Ele levantou os olhos tarde demais. Mal chegou a se mover e ouvi o disparo abafado da minha arma. Ele caiu antes de entender o que estava acontecendo.
Continuei andando devagar, atento a tudo. O lugar tinha eco. E identifiquei facilmente a voz do meu filho.
Apertei o passo. Zadock surgiu pela outra extremidade, como se fosse uma sombra. Nossos olhares se cruzaram por um breve momento. Nossa comunicação nunca foi como a de outras pessoas. Nunca nos falamos muito. Acho que a vida todos nos entendemos muito mais pelo olhar do que pelo som.
Avançamos juntos, com tanta sintonia que era como se fôssemos um só.
O segundo homem tentou reagir. Era a porra do guarda-costas, também suicida. Levantou a arma, mas as mãos estavam trêmulas o bastante para não atirar. Zadock foi mais rápido que eu. O disparo ecoou silencioso, e muito preciso.
O corpo do segundo filho da puta caiu ao lado de uma pilha de caixas.
Restava um. O quarto, a variável, pelo visto não existia. O que sobrou estava com o que de fato importava: o meu filho.
Ele estava no centro do galpão, sentado numa cadeira. Davi, em outra, falava algo, que eu não importei em saber o que era. Tinha uma arma sobre a pequena mesa ao lado do homem que estava mais para idoso do que de meia-idade, com uma barba branca longa e cabelos grisalhos.
Foi ali que entendi o porque o codinome dele era Papai Noel.


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