POV Maria Fernanda
Eu sabia que a casa seria grande. Só não sabia que seria daquele jeito: extravagante. Eu tinha que dizer para Will que existia outra divisão que definia a vida financeira das pessoas. Assim como tinha o pobre premium, as atualizações de rico premium haviam sido atualizadas com sucesso.
O carro parou diante de um portão que mais parecia a entrada de um resort. Ferro escuro, linhas modernas, silêncio absoluto ao redor. Quando o portão se abriu, senti aquele aperto estranho no peito... não de inveja, mas de incredulidade. Era como se eu tivesse entrado num cenário que não combinava comigo… e, ainda assim, me aceitasse.
A casa surgia no alto, recuada, imponente. Concreto, vidro e luxo. A fachada era moderna, com linhas limpas, grandes janelas espelhadas e uma varanda que se projetava como se estivesse flutuando sobre o terreno.
Desci do carro devagar, olhando em volta como quem pisava em outro planeta.
Respira, Maria Fernanda! É só uma casa. Uma casa absurdamente cara.
A lateral estava aberta, revelando a área externa. E foi aí que eu perdi qualquer capacidade de fingir normalidade.
A piscina de borda infinita era gigante. A água parecia se derramar no horizonte, fundindo céu e chão numa linha azul que nem parecia real. O fundo claro refletia o sol, criando um brilho quase hipnótico. Era o tipo de piscina que que eu só via na internet e achava que jamais chegaria perto um dia.
Fiquei parada por um tempo demorado demais. E não me importei. Afinal, se eu não fosse selecionada jamais veria algo daquela proporção de novo.
— Uau… — escapou, baixinho.
Percebi que as outras duas candidatas, assim como eu, também estavam extasiadas.
Segui o caminho de pedras claras e, antes de chegar à entrada principal, notei a garagem aberta. E ali estava outro lembrete silencioso de que aquele homem vivia em outro nível de realidade. Duas Ferraris. Não era uma... eram “duas”. Quem precisava de duas Ferraris se só se tinha um corpo para dirigir?
Uma era vermelha, baixa, agressiva, como se estivesse sempre pronta para arrancar. A outra preta, elegante, mais discreta... se é que algo daquele porte podia ser chamado de discreto. Entre elas, uma moto: grande, escura, minimalista. Parecia menos um veículo e mais uma declaração de intenções: forte, precisa... perigosa.
Engoli em seco. Enzo morava ali. Certamente ele ter transado comigo foi um erro da natureza. Decerto Deus deu um cochilo e quando acordou os dois mortais acabaram errando o rumo e se encontrado. Não era para acontecer. Definitivamente, vivíamos em mundos completamente diferentes.
Destino? Não, de jeito nenhum. O destino não me reservaria algo daquela proporção. Ou sim?
Involuntariamente toquei meu ventre. Caralho! Se eu estivesse grávida... meu filho faria parte daquilo. Ou... não. E seria justo privá-lo da vida de rico premium para ser pobre comigo?
Meu Deus! Eu estava fodida.
Nada ali era ostentação gratuita. Era poder organizado. Controle absoluto. Tudo parecia no lugar exato. Exceto eu.
Aproximei-me da piscina mais uma vez, sentindo o vento leve, o cheiro de cloro misturado com o aroma de grama recém cortada do jardim.
Pensei no teste. No menino. E no quanto aquele cenário não combinava com meu jeans simples e meu tênis gasto. Ainda assim, eu estava ali. Tentei me convencer de que era só um emprego. E eu não devia me deslumbrar. Não era a minha vida. Eu não pertencia àquilo.
Mas, enquanto olhava a água infinita senti uma sensação estranha. Olhei para cima e lá estava ele. Minhas pernas fraquejaram e senti um frio percorrer a minha espinha. E, pela primeira vez desde que cheguei, me perguntei se estava preparada para mergulhar.
Fomos recebidas pela governanta, que se apresentou como Pietra.
O nome combinava com a expressão dura e o olhar que me direcionou, como se eu estivesse no lugar errado, o que, considerando o ambiente, talvez fosse verdade mesmo.
— Sigam-me — disse, seca.
Ela não usava um uniforme revelador. Nem biquíni. Então tive esperanças de que aquela entrevista era séria e que, se eu fosse contratada, não seria obrigada a usar um uniforme sensual. Porque do jeito que Enzo conduzia a coisa toda, me parecia que tudo não passava da forma que ele usava para ver mulheres sem roupa.
Mas... ele precisaria daquele circo todo para ver mulheres sem roupa? Bastava aquele homem estalar os dedos e teria qualquer mulher que quisesse na sua cama. Inclusive... eu.


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