A mansão tinha sido evacuada. Pedi para Pietra me servir uma dose dupla de uísque e sentei-me na poltrona do meu escritório, mas tentando ficar bêbado com meu fingimento.
Bebi um gole, sabendo que se houvesse veneno, aquela quantia ingerida não me mataria, embora pudesse fazer um bom estrago.
Joguei o copo na parede, vendo-a se espatifar em mil pedaços.
Levantei e fui até o corredor, próximo da escada:
— Pietra, eu preciso de outra dose. — gritei.
Fiquei esperando até que ela me trouxesse. Olhei para o copo demoradamente.
— Deseja mais alguma coisa, senhor Enzo?
— Sim, na verdade eu desejo, Pietra.
— Como posso ajudá-lo?
— Você pode me ajudar morrendo!
Dizendo aquilo a empurrei da escada, vendo-a rolar degrau por degrau, sendo que a cada osso dela que se contorcia era como um lembrete ecoando dentro de mim, remetendo-me a tudo que eu havia perdido... minha mulher e meu filho que sequer chegou a se formar totalmente, morrendo quando ela derrubou Maria Fernanda da escada.
O impacto do corpo dela ecoou no chão, como uma música para os meus ouvidos.
Desci degrau por degrau, sem pressa. Pietra tentava se mover, mas não conseguia.
Quando parei na sua frente, ela se contorcia de dor, mas parecia evitar gritar.
— Foi assim que você derrubou a minha esposa, Pietra? Foi dessa forma que matou o meu filho? — minha voz soou calma, embora eu carregasse uma dor insuportável dentro de mim.
— Minha perna — ela disse, demonstrando a dor — acho que... quebrou.
Eu ri:
— Sua perna quebrada é o menor dos seus problemas, Pietra.
Antes que ela reagisse, a ergui nos braços. Não houve gentileza no meu gesto, apenas determinação.
— Sabe que não tem ninguém aqui para te salvar, não é mesmo, Pietra?
— Eu não me arrependo — ela disse, entredentes.
Eu ri:
— Que bom. Eu imaginei que não se arrependeria. E por isso mesmo que planejei uma morte lenta para você. Isso é para que tenha tempo suficiente para pensar antes de morrer. E ver todo o mal que fez. É assim que se faz com crianças que não obedecem. Elas ficam de castigo. Pena que você não é mais criança. E meu castigo não é de alguém que pune uma criança. Eu puno, nesse momento, um adulto. Um adulto que fez a pior coisa que uma pessoa pode fazer: atentar contra a vida de uma mulher grávida.
Pietra tentava se soltar, remexendo o corpo impacientemente, a fim de dificultar a forma como eu a segurava. Mal ela sabia da minha determinação em fazer aquilo.
Planejei dia após dia a forma de puni-la, de fazê-la sofrer, de matá-la lenta e dolorosamente.
Eu sentia vontade de filmar tudo para futuramente mostrar para Maçãzinha. Mas sabia que ela não aguentaria olhar. Maria Fernanda não era Caliana. E era exatamente por isso que eu a amava incondicionalmente. Porque ela tinha um coração, embora todos tivessem pisado nele.
Atravessei a área onde ficava a piscina aquecida e me dirigi até a de spa, até chegar no meu destino: a sauna.
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