Por que eu e as candidatas tivemos que fazer a porra de um teste de salvamento com um boneco na piscina sendo que Davi sabia nadar melhor que nós?
Respirei fundo e botei a boia ao lado da espreguiçadeira.
— Se eu for nadar, não esquecerei de usá-la, Aayush. — garanti.
Eu não ia entrar na piscina. Simples assim!
— Não esqueça das... câmeras. — ele usou um tom de voz baixo.
Olhei ao redor e vi as inúmeras câmeras. Puta que pariu!
Aayush entregou óculos escuros para mim e Davi:
— As lentes são muito boas. E bloquearão os raios de sol.
— Cortesia do senhor Asheton? — não contive a ironia.
— Sim.
— Engraçado que o meu não tem formato de estrelas ou sorvete. — revirei os olhos.
— O senhor Asheton é muito atencioso com seus funcionários. — deu um leve sorriso.
Dizendo aquilo o assistente gato de Enzo saiu, me deixando sozinha com Davi.
— Podemos aproveitar um pouquinho o sol antes de entrarmos na piscina? — pedi para Davi, esperançosa.
Ele pôs os óculos de sol, sentou-se num espreguiçadeira ao meu lado e disse:
— Eu tenho que passar protetor solar. Senão o papai vai ficar brabo.
Claro! Como eu fui esquecer daquele detalhe!
Passei protetor em Davi e depois em mim. Senti coceira nas costas e fui coçar, mas não resolveu. Eu já tinha comido todas as minhas unhas desde que comecei a trabalhar para Enzo Asheton.
Tentei passar o frasco de protetor nas costas, para aliviar a coceira. Mas não resolveu.
— O que houve? — Davi levantou parte do corpo do encosto, curioso.
— Coceira. Pode ser do sol.
— É só coçar. — riu, como se fosse óbvio.
— Sim, seria bem fácil coçar. Se eu tivesse unhas.
Ele levantou prontamente e começou a coçar minhas costas.
— Eu já disse o quanto você é incrível, Davi? — suspirei, aliviada da coceira.
— Você não deve roer unhas, Maria. Isso é anti-higiênico e faz mal.
— Eu sei. Mas... às vezes a gente comete uns errinhos conscientes. — pisquei um olho — tipo... dar batatas fritas para um garotinho sendo que o pai dele não deixa.
— Eu não vou contar. — ele riu. — também não vou contar que você rói as unhas.
— Mas eu roí as unhas por culpa do seu pai. Ele me deixa ansiosa e nervosa.
— Papai é legal. E ele gosta de você.
Ah, sim! Até naquilo o menino era incrível. Não quis me deixar chateada. Enzo era uma pessoa horrível e mudava de humor como que muda de roupa. Aliás, ele nem mudava de roupa. Estava sempre com aqueles ternos que eram todos iguais.
Lembrei do dia da boate, ele usando a camiseta e a jaqueta de couro e suspirei. Eu até tentava acha-lo horroroso. Mas a aparência de Enzo me fazia mudar de ideia.
— Sempre que quiser coçar, pode me chamar. Eu não roo as minhas unhas.
— E está certo em não roer.
O nosso lanche chegou. O cheiro de batata recém frita me pegou de jeito. Minha ervilha que morava no útero abriu a boca, implorando por comida.
Davi olhou para a batata frita que pegou por um bom tempo, sorrindo. Eu sabia que aquela simples atitude poderia significar o fim do meu emprego. Mas o sonho de Davi vinha em primeiro lugar.
Havia crianças que sonhavam com patinetes. Outras com bicicletas. Também tinha as que sonhavam com carrinhos de controle remoto ou mesmo aqueles que eram mini carros de verdade. Davi sonhava em comer batatas fritas. E seu podia realizar o sonho dele, por que não o fazer?
Ele deu a primeira mordida e sorriu. Respirei fundo e fiquei olhando-o, maravilhada. Eu estava proporcionando a ele o primeiro prazer através da comida. Comida barata e nada nutritiva. Mas ainda assim comida.
Ele sentou-se e pegou o prato, comendo uma atrás da outra.
— Tente beber isso depois de cada mastigada. — ofereci-lhe o copo de refrigerante. — Você já tomou refrigerante, não é mesmo?
— Não! — pegou o copo da minha mão e ficou olhando o conteúdo no copo, admirado. — Tem bolinhas de gás... como espumante.
— Você... bebe espumante? — quase engasguei com a saliva.
— Só sem álcool. — riu.

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