POV Enzo
Assim que acessei a área da piscina, fiquei imóvel. Quem estava com o meu filho, usando a boia de unicórnio que comprei especialmente para Maçãzinha?
Andei a passos largos até eles. Foi quando meus olhos encontraram os dela e paralisei. Era Maçãzinha. Com os cabelos cortados na altura dos ombros e... escuros.
Eu tive vontade de matá-la por mudar o visual radicalmente sem me consultar. Alguém podia devolver a minha garota? Mas ela ficou absurdamente mais linda que abri a boca, mas a minha voz recusou-se a sair.
Maria Fernanda parou de sorrir e ficou séria assim que me viu, mudando a postura totalmente. Estava à vontade com o meu filho, mas não comigo. E aquilo me deixou mal pra caralho. Como eu fui deixar a nossa relação chegar àquele ponto?
Eu a perdia cada dia um pouco mais. E a distância me atormentava. Ainda assim eu ia lá e a aumentava. Só para provar a mim mesmo que eu não me importava com ela por nenhum motivo a não ser o fato de ter tentado me dopar naquela noite.
Maçãzinha ficou linda naquela boia, como eu previa.
— Papai, papai! — Davi nadou para fora da piscina.
Ah, sim... eu tinha um filho! E cheguei a ter ciúme dele por alguns minutos, pela forma como estava entrosado com Maçãzinha.
Davi me abraçou, molhando o tecido do meu terno. Sorri e perguntei:
— Está feliz?
— Sim... muito. Maria e eu combinamos de assistir um filme sobre meninos que roubam o ouro de um pirata.
A encarei. Por que mesmo eu achava que ela tinha solução? Não, não tinha.
Maria Fernanda saiu da piscina e parou do meu lado.
— Não vou deixar meu filho assistir um filme em que criança roubam. — deixei claro.
Ela arregalou os olhos:
— Eles roubam por um bom motivo.
— Um bom motivo? Desde quando há bons motivos para roubar?
— Ah... é que os meninos são melhores amigos e irão perder a casa. Então encontram um tesouro que pertencia a um pirata e...
Levantei a mão, impedindo-a de continuar:
— Não.
— Mas papai... — Davi tentou me convencer.
— Só falta dizer que vai assistir com o meu filho o filme que a babá mata todo mundo. — “A mão que balança o berço”. Eu não esquecia nada que ela falava.
Maria Fernanda me fuzilou com o olhar. Mas engoliu em seco:
— Me desculpe, senhor Asheton. Não assistirei os Goonies com Davi. Irei me render à “De volta para o futuro”, versão atual.
Ela foi irônica. Mas preferi ignorar essa parte.
Como fazer ela virar de costas para mim? Caralho, eu precisava olhar aquela bunda. Maria Fernanda estava com o biquíni que comprei especialmente para ela. E ficou... perfeita nele.
— Poderia... passar um pouco mais de protetor no Davi? — pedi, olhando para a mesa próxima das espreguiçadeiras.
Foi quando vi os pratos e os copos com o líquido escuro. Andei imediatamente na direção da mesa e vi a última batata frita e as migalhas do que imaginei que fosse uma pizza. E o que era ainda pior: nuggets.
— Eu... posso explicar. — ela disse.
— Você deu... refrigerante para o meu filho?
— É... sem açúcar. Light. — sim, ela tentou justificar o injustificável!

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