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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 7

O sorriso dele demorou um minuto a mais do que o aceitável. Eu cheguei a ouvir claramente na minha cabeça:

“Maçãzinha… você veio.”

Mas então a realidade fez o favor de me puxar pelo pé, como uma alma penada que vem assombrar os vivos.

— Excelente timing. Costumo dizer que pontualidade é relativa, mas meu relógio discorda. — olhou demoradamente para o pulso — Que alívio você ter aparecido! Devo ajustar o meu relógio e a rotina da minha casa ao seu fuso horário? O atraso faz parte do seu currículo? Aposto que inseriu nos “pontos positivos”.

Ah, ótimo, meu cérebro estava me traindo! Nada de maçãzinha. Só um homem de olhos azuis claros perfeitos destruindo os meus sonhos de ter encontrado o príncipe encantado.

O tom usado pelo homem foi sarcástico. Totalmente sarcástico e debochado. O suficiente para derrubar o meu devaneio sobre ele ter me procurado.

Me flagrei descendo os olhos para o meio das pernas dele. Não tinha como analisar o tamanho do documento sobre o tecido da calça. Um graveto certamente descansando... até se tornar uma tora, capaz de fazer qualquer mulher perder o juízo.

A vida inteira ninguém me salvou. Eu que salvei todo mundo. E justo no momento em que eu não queria ser salva, alguém foi lá e o fez. Maldita hora que Will decidiu ser um super herói.

Eu tinha quase certeza de que aquele homem lindo, com olhos frios, um terno impecável e um perfume incrível era o mesmo com quem eu tinha transado no banheiro daquela boate estilo stranger things, que piscava o tempo todo.

O problema é que, no meu universo particular, só havia um método científico confiável para confirmar isso: transar com ele no banheiro, de novo.

Se eu me virasse contra a parede e ele ficasse atrás de mim, certamente eu teria a resposta para a minha dúvida. Só de pensar no que aconteceu naquele banheiro eu sentia meu sangue ferver e o corpo reagir.

Enquanto eu afundava naquela linha de raciocínio altamente questionável, percebi tarde demais que ele estava falando comigo.

— Você é surda? — perguntou.

Surda eu não era. Mas tinha sérios problemas com relação a salivação excessivas. Neste caso, salivação da minha boceta.

Pisquei repetidas vezes, saindo do transe. E o encarei:

— O quê?

— Eu perguntei se você é surda — a voz estava alterada, certamente perdendo a paciência por estar falando comigo há cerca de dois minutos (ou duas horas) sem respostas. E depois olhou para baixo, na direção de suas próprias partes íntimas, deixando claro que observou o que eu estava fazendo minutos atrás.

— Perdão — falei — Eu… não consegui processar a informação. Tenho... transtorno do processamento auditivo. — torci para que ele não soubesse o que era aquilo — E... um problema de manter o foco... dos olhos... — olhei para cima e depois para baixo, repetidas vezes.

Eu já nem sabia se estava ali por causa do salário irrecusável ou porque... o meu patrão seria o homem que me fez mulher e despertou em mim algo que esteve adormecido por anos.

Ele respirou fundo e me encarou com um meio sorriso nos lábios, cruzando os braços novamente:

— Atrasada, com dificuldades evidentes de compreensão e de visão… você realmente se acha apta a ser babá do meu filho?

Olhei para os meus pés, com aquele All Star usado e sujo. Olhei para ele, com aquele terno impecável. Olhei para a secretária, que já parecia apostar internamente que eu estava fora da jogada.

— Depende — respondi.

— Depende do quê?

— Depende do que o senhor chama de compreensão. Com crianças, eu me viro muito bem. — Dei de ombros. — Agora, ambientes novos e situações… inesperadas costumam exigir alguns segundos extras de adaptação. — olhei para cima, tentando, desesperadamente, não olhar para o meio das pernas dele de novo.

O quê? Eu realmente disse aquilo? O que aconteceu com o meu antigo eu depois que perdi a virgindade? Onde estava a Maria Fernanda que só queria se formar e casar com seu melhor amigo e ser feliz para sempre? Eu queria aquela Maria Fernanda de volta. Desde quando eu fazia gracinhas daquele tipo?

A secretária pigarreou.

Ele me encarou como se estivesse tentando decidir se eu era um erro administrativo ou um entretenimento inesperado.

— Interessante — murmurou.

— Eu prefiro “desesperada”. — falei seriamente — desesperada por um emprego.

É ele! 1

É ele! 2

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