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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 8

Assenti, sem saber exatamente o que significava a próxima fase naquele contexto estranho em que ele pedia para ver unhas, analisava tatuagens e me olhava como se eu fosse uma mentirosa.

A secretária abriu totalmente a porta lateral, de onde antes o CEO saíra, e fez um gesto discreto, porém claro o bastante para que eu entendesse o quanto a escolha dele não a agradava:

— Entrevista individual, senhorita.

Claro! Porque até agora aquilo tinha sido tudo… menos uma entrevista de emprego normal. Preferi pensar que era por causa do meu atraso. Que se eu tivesse chegado no horário, tudo teria sido diferente: ele não teria sido sarcástico, não teria pedido para olhar minhas unhas, não teria me chamado de maçãzinha e estaria sentado, o que não me daria a possibilidade de destruir tudo e ficar olhando para suas partes íntimas.

Ok, ele não me chamou de maçãzinha. Aquela parte tinha sido uma ilusão da minha mente, que desejou ardentemente que tivesse realmente acontecido. Desde que ele me chamou daquela forma no banheiro na boate, achei fofo. E fiquei me remetendo ao momento várias vezes.

Juro que, enquanto eu o observava atentamente, preferi que a bebedeira tivesse me feito esquecer realmente o rosto dele para sempre. Só assim para eu não me sentir completamente atordoada na presença daquele homem.

Entrei na sala e ele mesmo fechou a porta atrás de si. Fez um gesto para que eu me sentasse à cadeira à frente da mesa, que parecia grande demais para uma só pessoa. Minha família inteira caberia numa refeição àquela mesa.

Cruzei minhas mãos sobre as pernas, tentando não tremer. E sim, aquela entrevista valia todo o meu futuro. No entanto, a sensação dos olhos dele sobre mim era maior que qualquer outra coisa ali.

Ele permaneceu do outro lado, confortável, como se aquele território fosse extensão do próprio corpo. Quando levantei meus olhos e nos encaramos, eu tive a certeza: era ele. Minha memória ainda era um borrão conveniente. Mas aquelas íris azuis intensas eram impossíveis de confundir. Eu poderia estar dopada. Ainda assim o reconheceria.

Achei que jamais encontraria aquele homem novamente, por dois motivos óbvios: não o reconhecer por conta da bebeira e jamais nos cruzarmos novamente, já que não pertencíamos ao mesmo ambiente. Afinal, eu entrei naquela boate por uma falha no sistema. Jamais teria dinheiro o bastante para estar ali numa situação normal.

Ele tinha no olhar a mesma intensidade silenciosa daquela noite. O mesmo jeito de observar sem parecer interessado. Estremeci de leve e senti meu estômago contrair-se, numa fisgada dolorida. Depois outra. Preferi ignorar. Não era hora de lidar com o meu estômago que decidiu nos últimos dias mostrar ser o órgão que mais funcionava no meu corpo. Não era nada. No meu íntimo, eu juraria para mim mesma, a vida inteira, que não era nada. Eu preferia não pensar em qualquer outra possibilidade que não fosse “desconforto gástrico causado pela má alimentação”.

— Em primeiro lugar eu gostaria de deixar claro que, caso a senhorita seja selecionada, a empregadora não será a Asheton Armaments. A empresa está trocando de nome. Algum problema para você?

Estreitei os olhos:

— Não. Isso... interfere alguma coisa no salário?

— Não.

— Então... para mim não faz diferença alguma.

Se tinha alguma coisa que eu não entendia era sobre empresas e armas. Eu sempre soube que a Asheton era uma empresa que fabricava armas, aviões e coisas do tipo. Mas pouco me importava quem assinaria como fonte pagadora, caso eu fosse contratada.

Só me arrependi de uma coisa: não ter pesquisado antes melhor sobre quem era de fato aquele homem. Mas a proposta de emprego não era nada normal. Tirando o salário, poucas informações foram dadas. Então, não tinha como estar preparada para o que eu teria que enfrentar. Tudo que fiz foi estudar possíveis respostas para as perguntas que envolveriam a criança que eu cuidaria.

Então respirei fundo e o encarei. Para aquela parte, eu estava preparada. Assisti todos os vídeos possíveis sobre macetes e respostas concretas e sérias sobre como cuidar de uma criança. Eu não tinha só experiência. Sabia também da parte teórica.

Naquele último mês li vários livros sobre comportamento infantil, formas de lidar com cada fase do desenvolvimento de uma criança. E sinceramente, me arrependi de ter perdido os últimos anos da minha vida estudando enfermagem sendo que nem era o que eu realmente queria. Mas preferi afastar aquele pensamento que começava a surgir. Atualmente, qualquer coisa que me lembrava Michael, me causava mal-estar.

A entrevista 1

A entrevista 2

A entrevista 3

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