Pus o filme para rodar.
— Só falta a pipoca. — comentei, enquanto relaxava as costas amparadas no sofá.
— Acha que está em casa? — Shirley falou, entredentes.
Eu não cheguei a responder. Porque quando Enzo entrou na sala, parece que até os personagens do filme se calaram.
Meu corpo reagiu. Frio na barriga, borboletas no estômago, tremuras e pelos eriçados.
— Papai... você já terminou o seu trabalho? — Davi perguntou, não se movendo de onde estava, junto de mim.
— Na verdade... eu achei melhor ver o que você irá assistir. Só para ter certeza de que... não é inadequado. — me olhou.
Eu já tinha dito que não era. Nunca fui irresponsável com Davi.
Quando Enzo sentou-se no chão, deixando Davi entre nós, eu surtei internamente de vez. Éramos quase o que eu poderia chamar de... família.
Descansei a mão sobre a minha barriga, com uma vontade imensa de chorar. Como eu queria poder segurar aquele momento com as minhas mãos, para poder um dia contar ao meu filho que fui feliz ao lado do pai dele, mesmo que por algumas horas.
Não, não passava pela minha cabeça contar a Enzo sobre o bebê. Eu sabia muito bem qual era o meu lugar naquela casa, naquela relação, ou seja lá o que tínhamos. Shirley tinha razão quando disse que eu era um erro estatístico. Eu não era um erro estatístico como babá naquele lugar. Mas na vida de Enzo sim.
Shirley foi movendo o corpo pouco a pouco, talvez alguns centímetros por minuto. Até que parou quase em cima de Enzo, sentada no sofá. Eu poderia apostar que a perna esquerda dela pegava em parte do corpo dele.
Davi e Enzo estavam concentrados no filme. Eu? Bem, eu já sabia tudo que iria acontecer, detrás para frente.
Quando o mapa apareceu na tela, falei, mesmo sem ninguém me perguntar:
— Esse menino é o Mikey. Ele é o líder… mas não do tipo mandão. Ele só acredita.
Davi arregalou os olhos:
— Acredita em quê?
— Que as coisas podem dar certo mesmo quando todo mundo acha que não vão.
Enzo não comentou nada. Apenas se acomodou melhor. Davi segurava meu braço esquerdo. Quando Enzo se moveu um pouco, nossos dedos se encontraram no corpinho de Davi.
Mordi o lábio, tentando me manter normal. Se é que eu conseguia entender o que era a palavra “normal” naquele momento em que meu corpo inteiro se acendia. Mas não... dessa vez não era só desejo, tesão. O meu coração batia mais forte porque cada toque de Enzo me fazia ficar daquele jeito. Era amor... forte, insano, bipolar... mas amor. Amor por Enzo. Amor por Davi. Amor por tudo que os dois me faziam sentir quando estava perto deles.
Quando os “Os Goonies” começaram a correr pela casa bagunçada, Davi riu:
— Por que eles estão tão desesperados? — perguntou, apontando para a tela.
— Porque vão perder a casa — respondi. — Se eles não acharem o tesouro, vão ter que ir embora.
Davi franziu a testa, confuso:

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