Quando o navio apareceu na tela, majestoso, Davi suspirou e relaxou no sofá:
— Eu queria um mapa que me levasse para um tesouro... uma caixa cheia de batatas fritas.
Enzo olhou para o filho. Depois para mim. Não ousei pedir. Mas também não passou pela minha cabeça que ele pudesse levantar e sair da sala.
— Eles conseguiram! — Davi vibrou com o ápice do filme.
Enzo voltou e sentou-se novamente. Apoiou o braço atrás de mim e Davi e não sei se o gesto foi intencional ou acidental. Só sei que eu gelei por dentro. E fui grata por estar envolvida na manta. Embora eu estivesse lavada de suor, estremeci.
Ficamos ali, feito uma família feliz. A realidade só gritava quando eu ouvia a respiração de Shirley, acelerada.
Ouvimos uma batida leve na porta e eu não precisei virar a cabeça para saber do que se tratava. O cheiro antecedeu tudo. Era fritura.
Quando Pietra veio com as batatas, Davi ficou em choque. Acho que eu também. Ok, eram poucas. Contando que certamente eu teria que dividir com Davi, eram poucas mesmo.
Me ajeitei, pondo o braço para fora. Eu nem sabia se era para mim, para comeria. Se Enzo se atrevesse a negar, eu seria obrigada a dizer que estava grávida. Ninguém negaria batatas fritas para uma grávida. Eu fazia qualquer coisa por batatas fritas.
— Papai... — Davi ainda estava em choque.
— Não se acostume. — Enzo avisou. — Podemos negociar uma vez no mês. Em troca, você precisa se comportar.
— Mas ele se comporta. — falei. — E eu também. Então... posso comer junto?
Enzo arqueou uma sobrancelha:
— Depende...
— Do que?
— Se você vai comer todo o jantar e a sobremesa nas próximas vezes.
Senti minhas bochechas ruborizarem. E o suor escorrer pelas minhas costas. Devia estar uns 40 graus debaixo da porra daquela manta.
— Eu prometo. — falei, sem hesitar.
— Então pode comer.
— Seria muita ousadia pedir... maionese e ketchup para acompanhar?
— Claro que seria! — Shirley respondeu por Enzo — O senhor Asheton está sendo muito generoso em lhe deixar comer a comida de Davi. E ainda assim você ousa pedir ainda mais?
— Traga maionese e ketchup, Pietra. — Enzo ordenou — quem decide se é ousadia ou não sou eu. — olhou para Shirley.
Mentalmente ela devia estar planejando o meu funeral. Eu, em compensação, imaginava mil formas de me manter viva para sempre somente para poder repetir aquela cena pelo resto dos meus dias.
Davi parou de olhar para a televisão. O mundo dele se resumiu a palitos de batatas frita.
— Vocês... tem ketchup nessa casa? — perguntei, surpresa.
— Sim. Aayush come essas coisas estranhas.
Eu sorri. Aayush era legal. Pessoas que gostavam de ketchup geralmente eram confiáveis.
— Será que não deveríamos... convidar Aayush para comer com a gente? — propus.

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