POV Enzo
Assim que despertei, senti o peso sobre o meu braço. Não havia espaço sequer para eu me movimentar. Foi então que a vi. E percebi que a noite passada não tinha sido um sonho.
A observei ali, deitada no meu braço, os cabelos escuros contrastando com a minha pele. Caralho, como ela era linda! E daquele jeito, tranquila, os cílios longos emoldurando seus olhos fechados, os lábios finos... parecia uma pintura.
Os raios de sol da manhã iluminavam seu rosto. E eu, que nunca tinha acordado ao lado de uma mulher, percebi que era a melhor sensação do mundo. Mas não era porque era “uma” mulher. Eu sabia que o que sentia dentro de mim era porque a mulher era ela.
Preferi não acordá-la. Até porque, eu não sabia o que dizer depois de tudo que aconteceu entre nós há algumas horas. Observei o roxo do chupão que dei em seu pescoço e me perguntei como ela esconderia. E “se” esconderia. Eu não me importava que Maçãzinha andasse exibindo minhas marcas pela casa.
A afastei cuidadosamente para não despertá-la. Era seis horas. Certamente em breve ela acordaria, já que precisava estar com Davi às sete.
Pus minha roupa e a observei alguns segundos a mais antes de abrir a porta e sair. Foi quando me deparei com três dos meus funcionários conversando no corredor.
Os três arregalaram os olhos, estarrecidos. Mal sabiam que eu também estava estarrecido por ter passado a noite naquele cubículo, fodendo a babá do meu filho.
— Eu estava... me certificando de que a senhorita Lorenz não irá perder o horário hoje. — falei, tentando inventar uma desculpa convincente, sabendo que era bem difícil convencer alguém.
Eles não disseram nada. Um se atreveu a falar:
— Bom dia, senhor Asheton.
Andei alguns passos e parei. Virei na direção deles:
— Eu... não passei a noite no quarto... com ela.
— Jamais passou pela minha cabeça que tivesse feito isso, senhor. — um deles disse.
Virei-me e voltei a seguir meu caminho. Eu pouco me importava com o que pensassem. A casa era minha. A mulher era minha. Tudo era meu.
Quando cheguei no escritório, sentei-me na cadeira confortável da minha mesa de trabalho e fechei os olhos. A sensação que eu tinha era de que passei a noite em claro. E realmente havia sido poucas horas de sono. Maçãzinha era insaciável. E eu? Bem, eu poderia fodê-la por dias e noites sem cansar, sem negar fogo, sem comer nem dormir. Para ficar vivo, bastava estar dentro dela.
Ao ouvir o barulho da porta, abri os olhos, assustado. Acho que cochilei ali.
— Bom dia, senhor. Acordou cedo hoje. — observou Aayush.
Eu tinha dúvidas se realmente já tinha acordado.
Relembrei a noite em poucos minutos. E parei na parte que saí do quarto dela, onde os três homens conversavam.
— Achei que havia separação entre homens e mulheres na ala dos empregados, Aayush. — o encarei.
— Não, não tem. Mas isso nunca foi um problema, senhor. São raros os funcionários que dormem aqui.
— E... mesmo os que não dormem na casa, tem acesso à ala dos empregados que moram aqui?
— Sim. Alguns... tem vínculos, inclusive.
Engoli em seco.
— Quero Maçãzinha fora da ala dos empregados.
Aayush arqueou uma sobrancelha:
— Para onde... devo enviá-la, senhor?
— Quarto de hóspedes. Próximo do meu.
Meu assistente ficou em silêncio, me olhando por um tempo que pareceu uma eternidade.
— Fale alguma coisa, Aayush. Eu odeio o seu silêncio.
— Sua ordem será cumprida, senhor.
Era troca de horário das babás. Certamente os dois estavam no quarto, onde passavam horas desenhando e se divertindo enquanto gargalhavam. A minha casa nunca foi tão alegre como depois da chegada dela.
Quando abri a porta, encontrei os dois dormindo... Davi e Maçãzinha. Estavam sobre a cama, ele agarrado a ela, os semblantes tranquilos. Nunca imaginei que um dia eu teria ciúme do meu filho. Mas foi o que aconteceu. Não era ciúme dos dois. Era querer estar ali, no lugar de Davi, entre os braços dela.
Não sei quanto tempo fiquei parado, velando o sono deles. Quando fechei a porta, deparei-me com Shirley. E olhei no relógio. Cinco minutos. Aquele foi o tempo exato que me dei ao luxo de observar o que eu tinha de mais importante na vida. Pouco... muito pouco. Mas eu tinha uma vida pela frente para velar o sono deles.
Shirley sorriu:
— Hora da babá da noite entrar em ação. — tentou brincar.
— Você não passou bem ontem. Acho melhor descansar.
— Eu estou bem.
— Descanse. Considere uma folga para se recuperar do desmaio. Maria Fernanda cobrirá a noite.
— Mas...
— Eu que decido. — fui enfático e virei as costas. Eu precisava urgentemente de um banho.
— Senhor Enzo... — ela chamo e virei-me em sua direção.
— Obrigada pelo upgrade.
Arqueei uma sobrancelha, tentando entender.
— A mudança de ala... e de quarto. — explicou.
— Ah! — finalmente entendi — Não agradeça a mim. Agradeça à Maria Fernanda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...