Depois do banho, botei uma roupa confortável. Eu raramente usava calça de moletom, mas aquilo nunca me pareceu tão propício como naquela noite.
Voltei para o quarto de Davi, mas parecia que ele e Maçãzinha não iriam acordar nunca mais.
Quando fechei a porta, senti um vazio. Dei alguns passos, incerto do que fazer. Não estava com fome. Não tinha vontade de fazer nada. Então lembrei do filme que Maçãzinha nos fez assistir no dia anterior. Fiquei tão focado nela naquela sala que não prestei atenção no enredo.
Decidi olhar tudo de novo, desta vez me dedicado somente ao filme. Sentei-me no sofá, me esparramando confortavelmente e deixei a iluminação fraca.
A imagem era ruim. A história não só infantil, mas também ultrapassada. As roupas dos personagens eram caóticas. Os cortes de cabelos tenebrosos. O Sloth, o monstro mais malfeito que já vi na vida.
Mas enquanto a história se desenvolvia, eu me flagrava rindo em algumas cenas. E não, o filme não era uma comédia. Lembrei de Maçãzinha comentar algumas cenas, então imaginei que houvesse uma lição de moral ao final.
— Isso é uma ilusão de ótica? — ouvi a voz vinda da porta.
Respirei fundo e tentei não estragar a minha noite:
— Como você entrou? Ou melhor, por que não me avisaram da sua presença? Eu não autorizaria a entrada. Nem é aniversário do Davi.
— Aayush ainda é leal a mim.
— Não, ele não é leal a você. Ele é leal a mim.
— Quer mesmo discutir isso?
Zadock se aproximou e se sentou ao meu lado:
— Que porra é essa que você está assistindo?
— O que você quer aqui? — eu estava bem mais interessado no baú de ouro que os Goonies haviam encontrado do que no motivo pelo qual Zadock foi parar na minha casa.
— Eu estava passando e decidi dizer um “oi”. Mas jamais passou pela minha cabeça que eu constataria que você está completamente louco, fora de si. — olhou para a tela de depois para mim — Aayush não me disse que seu caso era de internação.
— Estou muito preocupado com a sua opinião! — ironizei — Se sua intenção é me interditar agora que oficialmente não tenho mais nada a ver com você, desista. Eu tenho um herdeiro. E uma esposa.
Zadock pegou o controle que estava ao meu lado e pausou o filme.
— Não acredito que você pausou na melhor parte! Eu quero saber se encontrarão ou não o Willy Caolho! — Reclamei, furioso.
— Não, você não está louco. Eu estou louco. Só pode ser isso. Definitivamente é uma ilusão de ótica.
— Eu sou oficialmente o senhor “ilusão de ótica”. É assim que minha esposa me apelidou.
— Como assim você tem uma esposa? Que coisa é essa que você está olhando?
Peguei o controle da mão dele e pus o filme para rodar. Zadock pegou da minha mão de volta e pausou. Peguei de volta e joguei longe:
— Minha casa, minhas regras. O filme segue. — esbravejei.
Zadock me encarou:
— Quando e com quem você se casou? Eu não li nada a respeito em nenhum lugar. E não fui convidado para a porra do casamento. Quem é a pobre coitada?
— A babá do Davi.

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