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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 88

Quando ouvi a voz dele, paralisei. Então, lembrei que não estava fazendo nada errado e tentei permanecer naquele abraço com Aayush. Infelizmente, Aayush não pensava como eu. E me afastou, como se estivéssemos cometendo um pecado.

Enzo pegou-me pelo braço:

— Como se atreve a me trair dentro da minha própria casa?

Balancei a cabeça, atordoada. “Trair”?

— Senhor, não é o que está pensando... — Aayush tentou se justificar.

— Sempre que me dizem que não é o que estou pensando, é o que estou pensando.

— Senhor, eu não me atreveria. — Aayush parecia preocupado.

E eu o entendia. Certamente para ele aquele emprego também era muito necessário.

Enquanto Enzo falava sem parar, fui levada para longe enquanto observava o homem moreno, magro, com olhos escuros e terno preto, ouvindo o patrão paranoico gesticulando feito uma criança que estava na fila do playground e alguém passou na frente e tomou o seu lugar.

Ah, Aayush! Respira fundo, engole o orgulho e lembra dos seus boletos. É assim que eu faço.

Fiz os cálculos rapidamente: Enzo tinha me ofertado o dobro do salário. Então, se eu me demitisse agora, havia uma grande possibilidade de, com o valor recebido pelos dias trabalhados, pagar o agiota. Assim como Marcondes cobrava o não pagamento por hora, certamente dava desconto pagando antecipadamente. Ao menos eu achava.

Na minha cabeça eu tinha a certeza de que seria demitida.

Respirei fundo e virei, indo em direção ao meu quarto. Como eu iria embora mesmo, não precisava ouvir as loucuras de Enzo.

— Aonde você vai? — Enzo perguntou.

Parei de caminhar, mas não virei para olhá-lo:

— Eu vou embora. — fui clara.

— Para o seu quarto? — pareceu hesitante.

— Para a minha casa. — virei na direção dele

Enzo estava lado a lado com Aayush. Como os dois conseguiam trabalhar juntos se eram tão diferentes? E não era só diferença física. A diferença era em todos os sentidos.

— Hoje? Você vai para a sua casa hoje? — franziu a testa, confuso.

— Hoje, amanhã e para sempre.

— Como assim?

— Demissão. Ato ou efeito de demitir-se. Encerramento formal do contrato de tralhado entre empregado e empregador, regulamentado judicialmente. Pode ocorrer por iniciativa da empresa, do funcionário ou em comum acordo. Os direitos variam dependendo da modalidade. Espero que pague o que é meu por direito. E dobrado, porque você disse que eu ganharia uma vez mais o valor que prometeu no contrato.

— Eu te prometi no contrato uma vida de princesa. E ainda assim vai se demitir, pela enésima vez?

— Uma vida de princesa? — eu ri — Sinto muito, Enzo, mas princesas não são tratadas dessa forma. E você, não é um príncipe e sim um vilão. Um vilão tipo Freddy Krueger, não na aparência, é claro, mas paranoico, obsessivo e vingativo. Ou o Capitão Gancho, um exemplo clássico de paranoia, que vive em constante medo e obsessão pelo crocodilo que comeu a sua mão.

Aayush riu. Sim, ele riu. Enzo, por sua vez, o olhou, parecendo tentar entender o que eu disse.

Não, Enzo jamais entenderia. Talvez soubesse quem era o Capitão Gancho. Mas duvido que associaria ao clássico Peter Pan. Freddy Krueger? Um filme que só pessoas normais (ou nem tanto) assistiram.

— Você está sendo cruel. Sou muito mais um vilão tipo Frollo. — Enzo reagiu.

— Frollo? — quem era Frollo?

— Concorda comigo? — o tom de voz dele foi... gentil.

— Eu não sei quem é Frollo. — se eu sabia, não lembrava.

Enzo se aproximou de mim de forma lenta, parando a um passo de distância.

— O corcunda de Notre Dame. — explicou.

Ok, um clássico. Mas um clássico esquisito e triste. Não triste como a história sem fim... mas triste.

— Você não é um corcunda. E nem parece com um. — rebati.

Pelo contrário... a aparência dele era... boa. Muito boa. Extremamente boa. Sedutoramente boa. Apaixonadamente... boa.

Minha respiração acelerou com a proximidade dele. E o aroma do perfume masculino entrou pelas minhas narinas, me deixando enfeitiçada. Ele estava mais para o...

— Kamsa. — Aayush se manifestou.

Eu e Enzo o encaramos. Afinal, quem era Kamsa na fila do pão?

— Termine o que começou, Aayush. Você já está fodido mesmo! — Enzo ordenou, usando um tom de voz manso.

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