— Ele... revive no final do filme. — tentei justificar.
— Você não assistirá mais nenhum filme com o meu filho sem que eu seja comunicado do título, entendeu?
Assenti, me sentindo a pior pessoa do mundo. Eu amava Davi. Jamais faria algo proposital para fazê-lo sofrer.
— Eu não quero ir com a Shirley. Quero ficar com a Maria! — Davi disse, ainda não colo do pai.
— Shirley, pode ir. Hoje ele fica comigo. Sem babás. — me olhou.
Assim que os dois saíram, levantei, com dificuldade.
— Acha mesmo que vai me tirar de cena? — Shirley me encarou — Eu não sou amadora, como você.
— Estou me fodendo para o que você pensa. — fui sincera e saí.
Fui impedida por Shirley, que pegou meu braço. Eu odiava quando ela me tocava daquele jeito, como se eu fosse obrigada a ouvi-la:
— Você subiu rápido para o andar de Enzo. Mas não vou deixar que chegue na cama dele, pode ter certeza.
Respirei fundo. Eu já nem conseguia mais pensar direito. E pouco me importava com o que ela dizia.
— Ele me odeia. Era isso que você queria? — puxei meu braço com força da posse dela.
— Não. Eu quero mais. Quero você fora daqui. Esse lugar é meu. E não adianta inventar uma falsa gravidez. Ninguém mais cai nesse joguinho.
Saí pela porta e deparei-me com Pietra. Ela deu um sorriso sarcástico antes de alfinetar:
— Pelo visto, hoje não vai ter batatas fritas.
— Não, não vai ter. Mas você pode tentar um prato novo. Que tal piranha ao molho branco? Pode pescá-la aqui mesmo, na sala de TV.
Passei por ela e fui em direção ao segundo andar, onde ficava o meu quarto. Eu não desceria para o jantar.
Enquanto eu subia a escada, meu telefone tocou. Eu já não estava em horário de trabalho. E não lembro a última vez que alguém me ligou. As conversas atualmente ao celular eram muito mais pelo W******p do que de qualquer outra forma.
— Alô.
— Boa noite, Maria Fernanda. Aqui é o Marcondes.
— Marcondes? — franzi a testa.
Quem era Marcondes na fila do pão?
— Seu agiota.
Marcondes? Ele não era o Papai Noel? Ok, ele era o primeiro na fila do pão. Ou melhor, na fila das pessoas para quem eu devia.
— Oi... senhor... Marcondes. Que bom... que o senhor ainda lembra de mim.

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