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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 112

Tinha me esquecido de como Daniel era fácil de conversar.

Divertido.

Um pouco ácido demais? Sim. Mas tinha um charme que era só dele e era de certo modo irresistível. Mesmo sabendo que certas piadinhas eram “erradas”, antes mesmo de perceber, já estava rindo delas.

Ele destoava bastante dos convidados do evento. Como sempre, estava despojado: camiseta de banda, uma jaqueta de couro por cima, calça jeans, óculos de grau e cabelo meio bagunçado.

Daniel não dava a mínima pro que as pessoas iriam pensar e eu adorava isso nele.

— E aí — ele inclinou a cabeça levemente, o copo de champanhe balançando de forma desleixada entre os dedos —, como tá o noivado com o CEO?

Senti o calor tomar o meu rosto antes mesmo de conseguir responder.

— Bem — consegui dizer. — Tá tudo bem.

Ele deu uma risada curta, sem julgamento, apenas satisfeito com a resposta.

— Pelo sorriso que você deu quando eu perguntei, tá mesmo.

Abaixei o olhar para a taça de champanhe que segurava e tentei disfarçar. Não queria dar tanto na cara que estava pateticamente rendida por Vinícius.

— A festa tá muito bacana — ele disse, girando levemente a taça. — O champanhe é chique, mas uma cervejinha não se compara, né?

— Não se compara — concordei.

Não que eu costumasse beber muito. Na verdade, a última vez que tinha de fato ficado bêbada tinha me custado a virgindade, a dignidade e me causado traumas irreparáveis. Afastei as lembranças, melhor deixá-las guardadas em algum lugar bem seguro dentro de mim, como já vinha fazendo.

— Bela!

A voz feminina me pegou de surpresa. Quando me virei pra ver quem era, mal acreditei. Marisa!

Ela vinha na nossa direção com um sorriso enorme, usando um vestido preto que ficava muito bem nela, o cabelo solto e brilhante. Estava muito diferente de quando a vi pela última vez. Hoje estava leve, feliz.

Fui até ela sem pensar duas vezes e nos abraçamos como se fôssemos amigas de infância que se viam de novo depois de uns vinte anos afastadas. Era um pouco intenso e exagerado, mas eu estava tão feliz em vê-la e saber que estava segura.

— Meu Deus, você tá linda — falei quando nos separamos, e era verdade.

— Obrigada. — Ela me olhou de cima a baixo. — Você também.

Fiz uma careta.

— Não precisa…

— Não, Bela, sério. — Ela franziu a testa, me estudando. — Tem algo diferente em você. E não é só a roupa, que também tá ótima. Você tá com um brilho diferente.

— Besteira. A mesma de sempre. — tentei disfarçar.

— Mas é verdade. — Daniel se aproximou de mim até parar do meu lado, e, quando olhei pra ele, ele me olhava de volta, no fundo dos meus olhos.

Não era um olhar de desejo, nem nada desrespeitoso. Mas era tão sincero que fiquei sem graça.

Era quase como se ele me admirasse.

Talvez o que mais me intrigava no Daniel é que ele nunca tinha me dado “aquele” olhar. O olhar que todos me davam da primeira vez que me viam. O olhar que deixava estampado no rosto que tinham acabado de ver a feia.

Desviei o olhar primeiro.

Sério, eu precisava voltar à realidade. Eu estava transando com um CEO gostoso e isso tinha claramente afetado meu senso de realidade, porque agora eu estava aqui interpretando o olhar de outro homem bonito como interesse romântico.

Daniel era simpático, só isso. Era assim com todo mundo.

Foi exatamente quando estava terminando esse raciocínio que senti um braço me puxar pela cintura.

Vinícius apareceu do lado, me envolvendo com o braço e me puxando pra perto num gesto que não tinha nada de delicado — era firme, deliberado, a mão aberta na minha cintura como se estivesse marcando território.

Meu corpo reagiu na hora, senti a umidade no meio das pernas e tive que me concentrar pra não dar bandeira.

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