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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 115

Entrei no escritório do Márcio, me certificando de que ninguém tinha me visto.

Estruturalmente, o escritório era muito parecido com o meu, mas bastava um olhar de mais de dois segundos pra perceber que ali era o escritório do Márcio e não o meu.

Papéis desorganizados em cima da mesa, barrinha de cereal, os cartões com a identificação dele espalhados por toda a superfície … tudo aquilo afetava meu senso de organização.

Precisava me concentrar em encontrar algo suspeito e ir embora o mais rápido possível.

Roberta tinha me dito que ele estava numa reunião no décimo andar. Vinte minutos, talvez trinta. Era o suficiente.

Fui direto pra estante do lado da janela.

O vaso não estava lá.

Senti um frio no estômago, meu coração disparou, minhas mãos ficaram frias.

Puta que pariu.

Era mesmo o vaso do Márcio. A porra do vaso que a mãe dele tinha dado de presente. E, no lugar onde era pra ele estar, ele tinha colocado um retrato com uma foto claramente improvisada de uma viagem que fez pra Cancún e dois cristais energizadores.

Cristais. O Márcio.

Se ele não queria não chamar atenção para aquela estante, era melhor ter deixado sem nada do que colocar dois cristais.

Márcio era tudo, menos namastê.

Como ainda tinha tempo, decidi investigar melhor o local. Abri as gavetas da escrivaninha. Além de mais um lugar desorganizado, talvez até mais do que a mesa, com um monte de folhas, cartões e papéis de bala enfiados, não tinha nada de relevante.

Olhei até atrás dos armários, procurando por qualquer coisa suspeita, e por último passei a mão por debaixo da mesa. Foi aí que encontrei algo pequeno, um dispositivo escondido no cantinho da mesa, na parte de baixo. Era uma escuta.

Por que justamente o Márcio, que não queria que ninguém soubesse das atividades dele dentro daquela sala, não tinha câmera nem nada, teria justamente uma escuta? O que ele estava planejando?

Todo o resto da Lotus tinha câmeras. Cada hora ele me arrumava uma desculpa diferente pra não ter na sala dele. Primeiro disse que não tinha necessidade, que ele não era tão importante assim, que nada do que fazia era tão importante pra precisar de câmeras. Até chegou a brincar dizendo que era apenas um nepobaby mal sucedido e que estava lá só pra cumprir tabela. As ações dele eram poucas demais pra qualquer decisão relevante. E que tinha escritório só pra fingir que trabalhava.

Nunca escondeu isso.

Quando pedi de novo pra que ele colocasse câmera, ele acabou me dando outra desculpa, dizendo que era melhor não, porque preferia a privacidade dele, já dando aquele sorriso sacana que me fez entender muito bem que tipo de privacidade era essa que tanto prezava.

Nunca insisti, porque realmente acreditei nele. Afinal de contas, era o Márcio.

Dei um pequeno salto pra trás quando a porta se abriu.

Márcio entrou já com a gravata frouxa, uma cara de quem tinha trabalhado o dia inteiro, sendo que a suposta reunião que ele tinha ido não tinha durado nem dez minutos ainda.

Olhou pra minha cara achando graça, abriu um sorriso e disse:

— O que você tá fazendo aqui, Vini? Errou de escritório?

— Precisava falar com você, mas você tava numa reunião e decidi esperar por aqui — arrumei a primeira desculpa que veio na minha cabeça.

— Ih, bom, a reunião já acabou. Na verdade, não tinha nem que ter começado. Sempre aquele mesmo blá-blá-blá inútil de sempre. — Ele jogou o paletó na cadeira e me olhou. — Algum problema, Vinícius?

— Devolvi os contratos do Gutierrez, deixei em cima da sua mesa — respondi, apontando pra uma pasta qualquer no meio da confusão.

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