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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 116

A modelo mais linda do lugar estava pendurada no ombro de Vinícius, numa proximidade que eu não conseguia acreditar.

Era como se eu não existisse, era como se a minha presença e nada fossem a mesma coisa.

Pouco importava para aquela mulher linda que a noiva feia do CEO estava logo ali, a poucos metros dos dois.

Quanto a isso, tudo bem. Eu já estava acostumada com esse estilo de comportamento. O que me irritou de verdade foi que ele não fez grandes esforços pra afastá-la. Muito pelo contrário, percebi que ele estava sem graça, com o rosto vermelho, abaixando o olhar e tentando mudar de assunto, sim, mas também não esboçou nenhuma intenção de afastá-la dele.

Continuou dando corda.

Ele evitava o meu olhar porque sabia que estava fazendo algo errado, mas também não tinha força o suficiente pra parar o que estava acontecendo.

Eu estava tão brava que minha vontade era pegar os champanhes que passavam nas mãos dos garçons e jogar um na cara dela e o outro na cara dele pra ver se eles paravam com essa palhaçada. O evento da Álvarez Parfums era um luxo. Tudo aqui era um exagero de beleza.

Estávamos na sacada de um prédio todo envidraçado, podíamos ver Santiago inteira iluminada lá embaixo.

Eu já sabia que não iria me sentir confortável num evento como esse, isso já era o meu normal. Mas, depois de tudo o que tínhamos vivido e de tantas vezes que eu reclamei desse comportamento dele, Vinícius fazer isso de novo na minha frente, não ligando pros meus sentimentos, era demais.

Chega.

Ninguém merecia passar por isso.

Regra mental número sei lá qual: você não tem namorado de verdade. Não existe motivo pra sentir o que você tá sentindo agora.

Não faz um escândalo, Bela. Pensa no Thales, pensa no acordo, pensa em tudo o que está em jogo. Ninguém mandou você se iludir, ninguém mandou você se apaixonar. Isso já era o esperado. O que mais você queria?

Achei que não podia piorar, ouvindo as risadinhas da modelo que seguia pendurada em Vinícius e ele rindo de volta, respondendo em espanhol, quando chegou mais uma modelo.

Literalmente, ela brotou do nada, como se mulheres bonitas de mais de um metro e oitenta surgissem do solo no Chile.

Respirei fundo, coloquei a taça de champanhe que estava na minha mão na bandeja de um garçom antes que eu ouvisse meus pensamentos intrusivos e jogasse o líquido em algum deles, e fui embora de fininho antes que aparecesse uma terceira supermodelo.

*

O restaurante que achei foi por acidente, descendo dois quarteirões. Pequeno, com cadeiras de madeira e cardápio só em espanhol, que eu não lia fluentemente, mas conseguia me virar. Entrei porque a chuva estava começando — uma garoa fina que, em qualquer outro dia, eu teria achado charmosa.

A mulher na entrada me olhou duas vezes.

Bom. A feiura é internacional. Pelo menos sou consistente.

Me sentei sozinha numa mesinha de canto, pedi algo que parecia ser frango — e, se não fosse, tudo bem, eu estava com fome o suficiente pra comer qualquer coisa — e fiquei olhando pra rua. As pessoas passavam apressadas com guarda-chuvas, alheias ao resto do mundo, e eu só observava como o padrão da chuva caía sobre elas, como era bonito vê-las se movimentando.

Percebi que meu celular começou a vibrar com uma ligação. Eu não precisava nem pegar pra saber quem era. Esperei parar de tocar, desejando ser capaz de ignorar por completo, mas a minha curiosidade era maior do que a minha dignidade, então peguei o aparelho.

Vi duas mensagens do Vinícius:

“Onde você foi?”

“Aconteceu alguma coisa?”

Não respondi nenhuma das duas. Claro que tinha acontecido alguma coisa. Ele sabia muito bem.

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