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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 117

Eu não sabia mais o que fazer. Já tinha mandado mensagem, já tinha ligado, e nada.

Ela não queria falar comigo e, o pior, tava chovendo muito forte e eu não sabia onde ela estava. Já seria ruim se estivéssemos no Brasil, mas estávamos no Chile!

Cheguei a pensar que ela não tivesse nem saído daqui, que estivesse em algum lugar mais reservado, mas já havia percorrido todos os lugares, perguntado para todas as pessoas, e ninguém tinha visto a Bela.

Decidi ir até a portaria. Avistei o porteiro e resolvi colocar meu espanhol enferrujado em prática.

— Buenas noches, usted ha visto a una chica con gafas, ropas coloridas y un pelo así? — fiz sinal com as mãos para exemplificar o volume do cabelo dela.

O homem assentiu em poucos segundos, dizendo que viu sim uma mulher de óculos e roupas coloridas, e que ela tinha saído apressada, a pé. Senti meu estômago revirar.

Puta que pariu.

Isso era tudo culpa minha. Algo de errado eu tinha feito. Fiquei repassando tudo que poderia ser, e só me restou a conversa com as modelos. Admito que deveria ter cortado logo, mas eu não sabia o que fazer. Uma delas já chegou se apoiando em mim como se eu fosse alguma espécie de parede. Eu fiquei rindo sem graça e mal conseguia olhar pra Bela nos olhos. Não porque sentia vergonha de ser visto com ela, e muito menos interesse pela modelo (que o Márcio não me ouça dizer isso nunca), simplesmente porque não queria encarar a Bela enquanto eu era tão babaca.

Algo da minha criação me impedia de empurrar uma mulher bonita, como se isso não fosse o esperado pra um homem. Ridículo, eu sei.

Já tinha passado da hora de impor meus limites como homem comprometido — era algo difícil pra mim porque nunca pensei que essa hora chegaria. Mas eu iria! Quando eu estava prestes a cortar o assunto, chegou mais uma e as duas ficaram me perguntando sobre o Brasil, se eu tinha algum amigo solteiro tão bonito como eu.

Devo ter ficado nessa situação por pelo menos mais 15 minutos, até finalmente dizer que tinha uma ligação importante pra fazer. As duas fizeram beicinho, mas me liberaram. Quando olhei pros lados, procurei Bela, mas ela não estava mais lá.

Sabendo que estava perdida, sem rumo, nessa chuva, tentei encontrá-la.

Saí perguntando na rua, dando suas descrições físicas, mas ninguém sabia sobre ela. Como ela também não me atendia, achei melhor voltar para o evento caso ela decidisse voltar pra lá. Era onde ela sabia que iria me encontrar.

Todos me olharam espantados. Eu estava sem a gravata, todo molhado. Eu não poderia me importar menos com o que pensavam; minha cabeça estava nela.

Eu podia perder uma ótima oportunidade de negócios aqui, uma oportunidade única de levar a Lotus para outros países, mas eu não tinha mais cabeça pra fazer social.

Tentaria recuperar a boa política amanhã, na reunião.

Merda.

A reunião!

Bela era a figura principal na reunião de amanhã. Afinal, foi por causa dela que estávamos aqui. Novo rosto da Beleza Verdadeira, fenômeno na internet.

Sentei no balcão do bar e pedi um whisky, depois outro e mais outro. Quando Valentina chegou, a segunda modelo que tinha se pendurado em mim no início do evento, eu já estava bastante bêbado.

Ela simplesmente se aproximou, falou alguma coisa em espanhol que eu não entendi por causa da minha embriaguez e da música alta de fundo e, sem pudor algum, me beijou.

Poderia dizer que a empurrei, mas acabei correspondendo ao beijo por um tempo até compreender que quem estava ali não era Bela, que eu estava no Chile e uma outra mulher estava me beijando.

Isso não seria problema algum pra mim, se fosse antes. Antes disso tudo, antes do acordo, de Isabela entrar na minha vida. Eu nunca tinha me preocupado em ser fiel, jamais iria recusar beijos de uma mulher tão linda como Valentina, mas esse Vinícius não fazia mais parte de mim. Travei o rosto e parei de corresponder ao beijo. Ela percebeu e se afastou.

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