Eu não sabia ao certo se batia na porta ou mandava mensagem, mas, antes que pudesse decidir, a porta se abriu e Vinícius apareceu. Ele me olhou de cima a baixo, puxou meu braço com firmeza e me conduziu pra dentro do quarto.
Senti o cheiro forte de whisky, ele tinha bebido e muito.
A expressão dele me deixou confusa. Ele parecia furioso, de certa forma, mas os olhos estavam cheios de ternura. Já estava me preparando para discutir feio com ele, caso fosse ousar ficar bravo comigo, mas ele me abraçou, uma mão na minha nuca, outra na cintura, apertando forte.
— Onde você tava? Você tá bem? — ele perguntou, me encarando com um desespero que eu nunca tinha visto. — Não sabe o susto que me deu! E se algo acontecesse com você?
Eu tentei falar, mas ele já estava colando a boca na minha, me beijando com uma urgência tão brutal que eu perdi o ar. Quando interrompeu o beijo, encostou a testa na minha, ainda de olhos fechados.
— O que eu iria fazer sem você? — a simples ideia de me perder parecia ser algo desconfortável pra ele, o quê, não vou mentir, quase me fez esquecer tudo o que ele tinha feito.
Mas eu não poderia passar por cima do que ele me fez, não de novo. Não depois de ter acontecido tantas vezes. Eu precisava ser forte, precisava dar um ponto final.
Me afastei dele, evitando olhar em seus olhos, porque não sabia se seria forte o suficiente pra dizer não pra eles.
— Acho que podemos parar de fingir… eu tô cansada. De verdade. — Não consegui evitar e subi o olhar, encontrando o dele. Ele estava desesperado. Droga. — Eu sei que não sou a mulher certa pra você… você também sabe disso.
— Para de falar isso… — ele tentou se aproximar, mas eu o afastei, apoiando minha mão no peito dele. Senti o coração bater forte sob a minha palma.
— Você sabe que é verdade. Agora, a curto prazo, pode pensar que dá pra passar por cima de certas coisas, mas não dá. Hoje foi a prova. Aquelas mulheres, lindas…
— Bela, quanto a isso, me desculpa. Eu não queria ficar com elas!
Acabei soltando uma risada involuntária. Ele continuou:
— Eu não retribuí ao toque delas, eu nem olhei pra cara delas, Bela!
— Eu devo te parabenizar? — ele abaixou o olhar. — Parabéns, Vinícius! Por fazer o mínimo. Tô vendo que podia ser bem pior, né? Você poderia ter, sei lá, beijado uma delas!
Falei brincando, mas senti que ele congelou. Ele tinha beijado uma delas?
— Bebi muito depois que você foi embora. Muito mesmo. Como pode ver, ainda não estou totalmente sóbrio — ele falava com a voz um pouco arrastada, o cheiro de whisky no hálito não deixando dúvidas. — Uma delas chegou, quase no fim da festa, e me beijou.
Abri a boca de surpresa e perdi a habilidade da fala.
Puta merda.

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