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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 120

— Y entonces quedó establecido que Isabela será el rostro de la campaña en el mercado chileno, en alianza con Alvarez Perfum.

Rodrigo Álvares era um homem na casa dos 50 anos, muito bem vestido e mais cheiroso ainda, que falava tudo de uma forma tão intensa e sexy que ficava ainda mais difícil pro meu cérebro processar o que ele estava dizendo, além dos meus conhecimentos limitadíssimos em espanhol.

Mas eu sabia o suficiente pra entender que eu seria o novo rosto da campanha em parceria com eles.

Se a minha vida já não estivesse de cabeça pra baixo há tanto tempo, acharia que isso aqui era um surto, um sonho, alguma coisa surreal, porque nem em um milhão de anos eu imaginaria que seria o rosto de uma marca de perfumes internacional. Bela, a feia, estaria estampada em outdoors no Chile.

O homem me olhava satisfeito e abriu um sorrisão. Eu, educada e bastante sem graça, sorri de volta.

Então Rodrigo completou:

— Claro que Valentina seguirá siendo la embajadora local de la marca. Ustedes dos van a compartir ese espacio.

Ai, claro. A minha vida não podia ser simples. Eu não podia ser simplesmente a feia que ia fazer uma foto com qualquer outra modelo aqui no Chile. Tinha que ser justamente a Valentina. A mesma Valentina que tinha beijado o meu noivo ontem, a mesma Valentina que tinha ficado pendurada nele, dando em cima dele na minha frente como se eu não existisse.

Olhei pra ela, sentada do outro lado da mesa, impecavelmente linda. Os cabelos dela eram hidratados como se fossem de outro mundo. Era um preto lindíssimo, brilhante, que se movimentava como se fosse um sonho toda vez que ela mexia a cabeça.

Eu não tinha entendido muito bem o conceito. Se a intenção deles era beleza verdadeira — não que eu pudesse achar qualquer coisa estranha, porque afinal de contas eu sendo o rosto de uma campanha em que a palavra “beleza” era o carro-chefe já começava por aí a falta de nexo — então por trás tinha todo o conceito de uma beleza verdadeira, vulgo alguém como eu, uma pessoa comum. Já a Valentina, apesar de ter tudo a ver com a palavra “beleza”, tinha pouco a ver com a palavra “verdadeira”.

Os dentes dela eram perfeitos demais porque não eram verdadeiros. Eram facetas. O cabelo lindíssimo, cheio e brilhante, era aplique. O corpo escultural? Seios de silicone, corpo esculpido no lipoled ou em alguma dieta maluca. Reparei que Valentina, ao contrário dos outros na mesa, não tinha tomado nem café porque, segundo ela, sairia da dieta. A única coisa que estava autorizada a fazer era tomar água.

Vender às mulheres uma imagem de Valentina como se isso fosse sinônimo de uma beleza verdadeira era, no mínimo, cruel.

Foi assim que cresci, vendo mulheres como Valentina na televisão, estampando capas de revista e me fazendo ter certeza de que eu era a pessoa mais feia do mundo.

Eu percebi que Valentina ignorou novamente minha presença e fixou o olhar em Vinícius outra vez, sorrindo pra ele, fazendo alguns sinais e piscadinhas.

Vinícius, ao meu lado, segurou minha mão e dessa vez não foi por debaixo da mesa, num sinal de apoio mais discreto, do tipo que ele costumava fazer. Dessa vez ele pegou na minha mão por cima da mesa, fazendo questão de que todos vissem.

Eu ainda não tinha cedido 100%. Ainda estava apreensiva com tudo o que tinha acontecido ontem. Depois que ele me beijou, eu interrompi e dormimos sem fazer mais nada.

Mas era difícil resistir, ainda mais quando ele estava do meu lado segurando minha mão e sorrindo pra mim com uma cara de bobo apaixonado que eu nunca tinha visto antes.

Valentina pegou o copo d’água na frente dela e tomou numa velocidade que me espantou.

*

O ensaio fotográfico foi marcado pra mesma tarde. Aproveitariam a luz, aproveitariam a viagem — Vinícius e eu precisávamos voltar pro Brasil logo, e eu não via a hora de voltar, rever Thaís, Juliano e papai.

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