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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 124

De volta ao meu escritório, já quase no fim do dia, enquanto torcia pra que Juliano conseguisse alguma pista fazendo a mágica nerd dele, fui me sentar de novo em frente ao computador e merda. Tinha até esquecido dos e-mails que tinha aberto logo cedo.

Assim que comecei a ler, reconheci na hora que eram do Márcio. O desgraçado tinha criado um e-mail novo só pra isso, mas nem entendi o motivo, se ele já tinha se identificado no primeiro deles.

Um imbecil.

Bati o olho e achei que nem valia a pena continuar lendo.

Fechei o laptop pra, dessa vez, levá-lo pra casa. Amanhã eu teria que trabalhar de lá, porque aconteceria a audiência mais importante sobre a guarda do Thales.

*

Era bem estranho participar dessas audiências por videochamada. Admito que preferia encarar tudo pessoalmente.

Eu tinha pedido pra Bela tirar o dia de folga na Lotus. Marina aceitou sem problemas, a campanha já estava bem encaminhada e a fragrância quase pronta. Também pedi que Isabela levasse Thales pra passear, ir ao cinema, e que Inês fosse junto. Queria ficar sozinho hoje pra resolver os problemas da Lotus e, principalmente, me concentrar pra audiência.

Minha advogada já estava aqui e, confesso, isso me tranquilizava muito. Ela era a melhor da área.

Mas, quando a advogada da Valéria começou a falar, voltei a sentir a insegurança. A mulher tinha uma postura e uma entonação de voz daquelas que pareciam não conhecer derrota.

O que me acalmou foi lembrar que eu também conhecia aquela técnica, aquela forma de falar.

Usava às vezes em reuniões de acionistas, quando precisava que uma decisão parecesse inevitável antes mesmo de ser votada. E, quanto mais inseguro eu estava, mais seguro precisava parecer. Assim era o mundo corporativo e certamente era assim em um tribunal.

— O histórico do senhor Rodrigues como pai presente é, no mínimo, questionável — ela disse, abrindo uma pasta. — Ausência documentada em consultas pediátricas, em eventos escolares...

— Meu cliente estava à frente de uma empresa com mais de mil funcionários — minha advogada respondeu, no mesmo tom calmo. — As ausências correspondem a períodos de crise institucional comprovada.

Eu olhava pro juiz tentando identificar alguma coisa na expressão dele. Claro, nada. Ele só tomava notas.

Fazia muito tempo que eu não via Valéria, ela estava vestida toda de preto, com um semblante frio e sério como sempre.

A advogada dela continuou:

— Ademais, o ambiente doméstico sofreu alterações recentes que merecem atenção. O menor passou a conviver com uma funcionária contratada...

— A noiva do meu cliente — minha advogada corrigiu.

— Que foi contratada como babá antes de assumir esse papel. — A advogada de Valéria deixou aquilo no ar por um segundo. — A estabilidade emocional do menor exige um ambiente previsível, não um que mude de acordo com os interesses profissionais e pessoais do pai.

Cerrei a mandíbula.

Valéria continuava impassível. E, por videochamada, era fácil me ignorar. Não olhar nos meus olhos. Ser covarde.

Minha advogada continuou me defendendo e a advogada dela continuou me atacando, o juiz continuou tomando notas e eu quase sufocava naquele terno enquanto esperava o fim daquela tortura em que um homem decidiria se eu era suficiente pra criar o meu próprio filho.

*

Terminou às quatro da tarde. Tinha durado muito mais do que eu esperava. O juiz precisaria de mais tempo pra avaliar tudo e, por enquanto, não ouviria Thales.

— Não fique nervoso — minha advogada disse, ajeitando os óculos. — Foi melhor do que eu esperava, de verdade. O juiz não deu nenhum sinal de que as alegações da Valéria o convenceram.

— O bullying... aquilo é muito sério. Fizeram parecer que a culpa era minha.

— Sim, foi a pior parte pra nós. Mas também apresentamos toda a rotina familiar, como as notas dele melhoraram na escola, como o comportamento dele mudou e, acima de tudo, como o seu relacionamento com a Isabela proporciona ao menino uma estabilidade emocional e familiar.

— Mesmo se o juiz for favorável a mim, ela não vai desistir. Vai recorrer.

— Claro. Mas agora o ônus da prova é dela. — Ela fechou a pasta. — Descanse. Você parece não dormir há uma semana.

*

Quando o portão de casa abriu e entraram Inês, Bela e Thales, senti como se todos os meus problemas tivessem desaparecido.

Ouvi as gargalhadas quando saíram do carro e me dei conta de que ali estavam as três pessoas que eu mais amei na vida.

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