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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 127

Desde ontem à noite eu estava vivendo no modo automático. Ele tinha conseguido. O CEO tinha dado conta de ser pior do que o Rafael, o sem caráter da faculdade que tinha apostado a minha virgindade.

Vinícius tinha ligado às duas da manhã, desesperado pra contar pro Márcio que não conseguia se excitar com a tal modelo. Tinha ficado muito claro na mensagem. E eu acreditando quando ele me disse que não tinha tido a intenção de beijar a Valentina, que por algum momento tinha pensado que era eu… e eu acreditei.

Olhei pra tela do computador, o cursor piscando. Eu tava com o projeto da campanha aberto fazia uns quarenta minutos e ainda não tinha mexido em nada. Não tinha escrito uma linha sequer.

Lembrei que Vinícius tinha dito ontem que me amava. Tinha feito a maior declaração de amor e eu, muito idiota, tinha acreditado. Senti tanta raiva.

Eu queria me vingar e tinha nas minhas mãos uma oportunidade perfeita. Podia simplesmente estragar tudo.

Podia sentar ali, abrir o arquivo da campanha e colocar as cores erradas, fontes horríveis, elementos completamente fora do lugar. A Lotus tinha me dado carta branca na identidade visual, e eu sabia exatamente como usar isso contra eles. Em três horas eu conseguiria acabar com tudo o que o doutor Vinícius tinha conseguido construir em dois anos.

Era tentador e era exatamente isso que Vinícius merecia. O que faria doer mais do que qualquer coisa, pra ele.

Mas eu não podia fazer isso. Não podia porque aquele também era o futuro do Thales. E eu também não queria trair a Marina daquela forma.

Não seria justo com ela.

Marina tinha trabalhado meses naquela fragrância, tinha uma carreira e um nome a zelar e tinha me tratado muito bem, desde o primeiro dia. Sabotar a campanha seria prejudicar a única pessoa que tinha sido gentil comigo naquela empresa.

Então era isso. Eu era a idiota que nem conseguiria se vingar.

Estava assimilando esse pensamento quando a porta se abriu. Marina entrou com dois cafés, um em cada mão, e parou assim que viu a minha cara.

Eu devia estar péssima, mais do que o meu normal, porque ela ficou me encarando por alguns segundos sem dizer nada. Depois caminhou até a minha mesa, colocou um dos cafés na minha frente e se sentou na cadeira.

— O que aconteceu? — perguntou.

— Marina, desculpa ter atrasado a entrega do P*F. Já tô acabando — menti, porque não tinha nem começado.

— Bela, não tô falando do projeto.

Olhei pro café. Era do jeito que eu gostava: sem açúcar e com um pouquinho de canela.

Senti minha garganta apertar.

— Eu li uma coisa que não deveria — comecei. — No computador dele. Foi sem querer, eu só fui mandar uns arquivos pra você e o e-mail tava aberto…

Marina ouviu tudo com atenção, sem me interromper. As expressões dela iam mudando conforme eu contava, uma mais surpresa que a outra. Quando terminei, ela negou devagar com a cabeça antes de dizer:

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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