Juliano estava sentado na frente de dois monitores, com três janelas abertas ao mesmo tempo. O cabelo dele estava todo armado, um lado dos cachos completamente desfeito de tanto passar a mão ali. Eu sabia que aquilo era mania dele quando estava concentrado tentando resolver algum problema.
Ele apontou pra cadeira ao lado e eu me sentei.
— Consegui recuperar alguns fragmentos. Não é tudo, tá? Tem coisa que foi sobrescrita de vez. Mas o que apareceu já é… — Ele parou, como se não soubesse como terminar a frase. — Assiste.
O vídeo era granulado, cortado em pedaços, com saltos de tempo entre um fragmento e outro. Mas dava pra ver.
Primeiro apareceram as câmeras de São Carlos. O escritório do Jonas. Ele e a Karina. Não tinha áudio, mas não precisava, o que tava acontecendo ali era gráfico o bastante.
— Eles tinham um caso — Juliano confirmou, desnecessariamente.
— Eu tô vendo, Ju.
Era bem evidente, com um enfiando a língua dentro da boca do outro.
O fragmento seguinte era aqui na Lotus. No corredor perto da sala do Márcio. Jonas e Karina de novo, mas dessa vez não tinha beijo. Era uma discussão, e isso também dava pra perceber nitidamente. Ela recuava, ele avançava, e a mão dele segurava o braço dela, impedindo que saísse. Karina tentava se soltar.
Prendi a respiração.
O próximo trecho ainda era no mesmo corredor. Jonas estava por cima de Karina, prestes a arremessá-la no chão. De alguma maneira ela conseguiu se soltar (pelo que entendemos, ela deu uma joelhada no saco dele) e correr pra dentro do escritório, voltando com um vaso nas mãos, que ela tinha pegado de dentro da sala - o escritório de Márcio não tinha câmeras, mas com esse contexto, nem era necessário. Logo em seguida, bateu na cabeça dele com toda força.
Jonas caiu desmaiado e Karina fugiu.
Fiquei sem reação depois de ver aquelas imagens.
Juliano procurou mais um arquivo.
Era o estacionamento da Lotus. Câmera externa, pegando tudo de cima. Um carro parava, alguém descia, mas a qualidade era ruim demais pra distinguir o rosto. Dava pra ver a placa, a silhueta, e que a pessoa abriu o porta-malas antes de entrar no prédio, tirando alguma coisa de dentro.
— Esse é o início do incêndio? — perguntei.
— O horário b**e. — Juliano assentiu. — E eu consultei o sistema de cadastro de veículos da Lotus. Essa placa é de um carro registrado no nome da Karina.
Meu Deus.
— Você já contou tudo isso pro Vinícius? — perguntei.

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