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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 135

Eu tinha ficado três dias sem ir à Lotus. E, por mim, não tinha vontade de voltar mais. Não tinha vontade de fazer mais nada.

Havia mandado um e-mail pro meu time dizendo que trabalharia de casa, o que era um eufemismo danado, porque a única coisa que eu tinha feito era um café, que agora já tava frio, e ficado sentado em frente ao laptop, olhando para a tela.

Minha sorte era que a empresa estava indo bem. Outra coisa que eu devia à Bela.

Ainda no meu escritório, comecei a ouvir o barulho da piscina. Percebi que meu filho estava nadando. E, numa alegria enorme, alguma coisa diferente tinha acontecido.

Desci as escadas e fui até ele.

Thales estava nadando, mergulhando, se divertindo, todo despreocupado.

Quando chegou perto da borda da piscina, ergueu a cabeça e me viu sentado no degrau. Ficou quietinho por um segundo.

— Oi, filho — falei pra ele, com uma voz que tentava passar todo o meu espírito apaziguador.

Nossa relação tinha ficado mais complicada desde que Isabela tinha ido embora. Ele estava muito magoado comigo.

— Oi, pai.

Ele respondeu, saiu da água, pegou a toalha e foi se sentar na espreguiçadeira.

— Você conseguiu falar com ela? — perguntei, despretensioso.

Thales inclinou a cabeça e ficou me olhando por um momento.

Depois saiu andando, me ignorando, deixou a toalha de lado e pulou na piscina de novo.

Ele estava deliberadamente me ignorando.

Uma criancice, mas ele só tinha dez anos. Era o esperado.

Esperei alguns minutos. Até bananeira ele fez dentro da piscina.

Quando viu que eu não ia embora, nadou de novo até a borda. Tirou a água dos olhos, ajeitou o cabelo e falou:

— Não sei do que você tá falando, pai.

— Thales, filho, você sabe sim. Vem cá, fala com o papai.

— Não quero agora. Eu tô brincando.

Respirei fundo.

Eu não podia perder a paciência com ele. Tinha que entender que ele estava fazendo birra e que provavelmente tinha prometido à Bela que não me contaria nada.

Tinha que tentar tirar a informação dele mesmo assim.

— Filho, vem cá, por favor. Papai tá chamando.

Ele acabou cedendo, saiu de novo da piscina e sentou do meu lado.

— Filho, eu sei que você sabe onde ela tá.

Ele não falou nada. Ficou balançando as pernas dentro da água.

Tudo bem.

Mudei de estratégia.

— E se eu te der aquele videogame que você me pediu? Aquele que acabou de sair? Como é que chama? O Switch 2?

Thales arregalou os olhos olhando pra mim.

A proposta era mesmo uma tentação.

— Não sei — ele respondeu.

Depois pensou um pouquinho.

— Não posso, pai.

— E se eu te der dois jogos juntos?

— Quais?

— Não sei. Você escolhe. Qualquer um que você quiser.

Dessa vez ele realmente parou pra pensar.

Eu achei que talvez tivesse conseguido a barganha, mas depois ele olhou pra mim.

— Não — falou, decidido. — Mas obrigado pela oferta.

Me levantei e não sabia se sentia raiva ou orgulho dele.

Meu filho tinha só dez anos, mas não seria facilmente corrompido, nem pela maior tentação.

Ele se levantou também, fiz carinho na cabeça dele.

— Tudo bem, filho.

*

O telefone tocou quando eu estava tentando trabalhar, sem sucesso. Era meu advogado.

Encontraram o Jonas. Estava num hotel em São Paulo, o que era uma estupidez tão completa que nem me surpreendeu — o homem não tinha imaginação nem pra fugir direito. As imagens que o Juliano recuperou tinham sido suficientes pra indiciamento. A Karina também: incêndio criminoso e encobrimento.

Era difícil de assimilar que Karina estivesse envolvida em tudo isso. Eu sabia que ela tinha os seus defeitos, que chegava você uma pessoa odiosa sim, mimada, elitista e uma série de coisas desagradáveis. Mas não imaginava que seria uma criminosa.

*

Eu nem deveria ter saído de casa.

Tudo tinha ficado mais claro ainda quando eu pedia o meu quinto drink no bar.

Mais um.

Mas a minha casa estava cheia de lembranças dela. Eu ficava ali sem saber onde ela estava. Era uma tortura.

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