Encontrei Isabela parada no corredor, sozinha. Me cortou o coração ver ela ali, com os ombros encolhidos e as mãos entrelaçadas na frente do corpo.
— Isabela.
Ela se virou, devagar.
— Desculpa, não te vi aí.
A voz dela saiu pequena. Cansada.
— O que minha mãe fez?
— Nada — Isabela respondeu rápido demais.
— Isabela…
— Ela não fez nada, Vinícius. Deixa pra lá.
Mas eu não conseguia deixar pra lá. Não quando ela estava assim. Quieta. Apagada.
Desde o momento que ela tinha entrado naquele salão, eu tinha visto a energia dela sendo drenada aos poucos. Como se cada olhar, cada comentário, cada risada falsa tivesse arrancado um pedaço dela.
É isso que acontece com todo mundo que é obrigado a enfrentar o meu mundo.
A culpa apertou meu peito.
Eu tinha feito isso com ela. Tinha puxado ela pra dentro dessa merda toda. E agora estava vendo ela se despedaçar.
Uma mecha de cabelo caiu na frente do rosto dela e sem pensar duas vezes, estendi a mão. Afastei o cabelo, colocando atrás da orelha.
Isabela ficou paralisada. Eu também não entendi porque tinha feito aquilo.
Ela me olhou por cima dos óculos tortos. Os olhos esverdeados arregalados. O corpo rígido, como um bicho arisco prestes a fugir.
Coloquei a mão nas costas dela de novo. Naquele espaço aberto do vestido, sentindo a pele quente. Macia.
Por que diabos eu fiz isso?
Tentei justificar: talvez fosse pra reconfortá-la.
Talvez você só queira sentir a pele dela de novo.
Afastei o pensamento. Ridículo. Eu estava confuso por toda essa situação. Estressado. Cansado.
Não era atração.
Não pode ser.
Olhei pra ela de novo. Os ombros recolhidos. A respiração descompassada. O jeito que ela tremia levemente.
— Vem — puxei ela pra um canto mais isolado, longe dos olhares. — Me conta o que tá acontecendo.
— Esquece isso, eu vou ficar bem…
— Isabela, você não tá bem. Eu sei disso…
Ela soltou uma risada. Cansada. Sem graça.
Mas tinha algo naquele sorriso. Algo puro. Genuíno.
Fez meu coração doer.
E acelerar.
— Você não pode me ajudar, Vinícius. Porque o que aconteceu comigo não é diferente do que sempre acontece — ela me encarou. — É só... a minha vida.
Senti algo se revirar dentro de mim.
— O que minha mãe te disse?
— Sua mãe não fez nada de errado — Isabela respondeu, firme. — Ela só foi honesta.
Foi quando a voz de Márcio ecoou pelo salão… ele estava falando no microfone.
Puta merda.
— Boa noite a todos! — Márcio estava no palco montado no canto do salão, segurando o microfone com aquele sorriso idiota. — Sei que não esperavam um discurso agora, mas... quando é o meu melhor amigo que tá noivando, eu não consigo ficar quieto!
Risadas educadas espalhadas pelo salão.
Isabela ficou tensa ao meu lado.
— Eu conheço o Vinícius desde que a gente era criança — Márcio continuou. — E posso dizer, com toda a certeza, que ele é um dos caras mais fodas que eu conheço. Empresário brilhante, administrador nato, pai dedicado... e agora, marido!
Aplausos.
— Vini, meu irmão, você merece toda a felicidade do mundo — Márcio procurou a gente no salão. — E onde está o casal do momento? Vem aqui, gente!
Todos os olhos se viraram pra nós.
Isabela congelou.
— Olha eles ali! — Márcio apontou, acenando. — Vem, vem! Não sejam tímidos!

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