— Isso foi lindo! — Márcio apareceu do nada, sorrindo feito um idiota, batendo palma. — Vocês arrasaram! Todo mundo tá falando de vocês!
Eu nem olhei pra ele. Não conseguia. A vergonha do desejo que eu tava sentindo por Isabela era forte demais. Como se ele fosse sacar só de olhar pra mim.
— Vem, vem! — Márcio nos empurrou pra fora do centro do salão, guiando a gente pra algum lugar. — Reservei um lugarzinho especial pra vocês assistirem a banda tocar. Vocês vão adorar!
Já estava esperando o pior, afinal nada que vinha da cabeça do Márcio era coisa boa. Mas me calei. Ela ainda não sabia que Márcio era um babaca e quis prolongar essa ilusão. Uma complicação a menos.
Chegamos numa área vip, com vista pro palco lá embaixo. Tinha uma poltrona. Uma poltrona só. Daquelas antigas, estilo namoradeira, feita pra dois ficarem espremidos.
— Pronto! — Márcio anunciou, orgulhoso. — A melhor vista do salão, pro casal do momento!
Olhei pra poltrona e depois pro vestido de Isabela. Era impossível, nós dois não iríamos caber ali.
— Eu fico de pé — Sugeri.
— Que isso, cara! — Márcio riu. — Vocês são noivos! Isabela pode sentar no seu colo, ué. Não vai morder.
Eu queria matar o Márcio. Literalmente esganar aquele filho da puta. Ele deve ter percebido isso, porque logo em seguida saiu, não sem antes me lançar um sorriso irritante e fazer um sinal de positivo com o polegar, como se tivesse feito o maior favor do mundo. Traidor.
Eu e Isabela ficamos ali parados. Encarando a poltrona.
Aquela porra de poltrona.
— Eu posso ficar em pé — ela disse, rápida, nervosa. — Não tem problema, o show não vai demorar tanto assim…
— Senta.
Saiu mais seco do que eu pretendia. Mas caralho, a gente já tinha dançado grudado ali embaixo, na frente de todo mundo, com meu pau quase perfurando a calça. Se eu falasse que ela não podia sentar no meu colo agora, ia parecer o quê? Que eu tinha medo? Que não conseguia me controlar perto dela?
Que era exatamente a verdade, mas eu mesmo não queria aceitar.
Isabela olhou pra mim e pra poltrona, como se estivesse ponderando o que seria pior. Ela se aproximou devagar, segurando o vestido armado com as duas mãos, tentando fazer ele caber naquele espaço minúsculo. Não ia rolar. O vestido tinha muito volume, muita saia, e a poltrona mal cabia duas pessoas sentadas lado a lado.
Sentei primeiro. Abri um pouco as pernas pra dar espaço. Tentei parecer relaxado, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Vem — disse, e a voz saiu rouca de novo. Merda.

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