Vinícius saiu do banheiro e, desesperada, fingi que estava dormindo. Era patético, porque ninguém iria dormir tão rápido assim. Eu tinha tirado o casaco e estava deitada com a calça e a blusa que estavam por baixo. Era desconfortável dormir assim. Eu me sentia amarrada naquela calça jeans, e a blusa com babados pinicava a pele.
Soltei o ar de uma vez, desistindo de fingir que estava dormindo. Fiquei olhando para o teto para não ter que encará-lo. Mas ele se aproximava da cama e, antes que eu pudesse evitar, já estava olhando.
Estava usando só a calça. A camisa estava na mão.
Eu queria ser superior e não reparar no corpo dele. Mas não tinha como. Já imaginava que ele seria lindo sem camisa — era só olhar para ele vestido. Os músculos já ficavam desenhados mesmo sob o terno, mas vê-lo assim, tão próximo…
O filho da mãe tinha tanquinho.
Não sei por que eu estava surpresa com isso. Era óbvio que ele seria o combo completo do CEO gostoso.
Os músculos do braço se contraíram quando ele jogou a camisa na cadeira perto da janela. Passou a mão no cabelo e ficou de costas por uns segundos.
Ele estava nervoso. Não precisava conhecê-lo muito para perceber. Ombros tensos, se movimentando pelo quarto como se estivesse pisando em ovos.
Ele também não queria olhar para mim.
Aposto que ele estava pensando a mesma coisa que eu.
A cama era grande, sim, mas era uma cama só.
Tudo bem. Adultos dividem camas. Acontece no mundo inteiro. Nada de especial.
Então porque eu sentia um frio no estômago?
Não era medo exatamente. Uma parte de mim estava, sim, apavorada com o que podia acontecer, mas a outra queria pagar para ver.
Era ridículo isso, por que eu estava tendo ilusões de que essa noite poderia ser algo a mais? O que tinha acontecido no noivado foi uma anomalia. Não iria se repetir.
Ele se virou.
— Você dorme na cama. Eu fico no sofá.
— Não.
Ele franziu a testa, como se eu tivesse falado em outra língua.
— Isabela.
— Eu sou pequena, não vou ocupar muito espaço na cama.
Vinícius ficou me olhando com a boca entreaberta. Depois pareceu ponderar as opções na cabeça e assentiu uma vez.
Foi até a cama e puxou os travesseiros do lado dele. E começou a empilhá-los no meio.
Três travesseiros formando uma barricada perfeita. Ele construiu uma parede de travesseiros entre a gente, como se eu fosse pular no pescoço dele no meio da noite.
Claro. Fazia todo sentido.
Era uma feia que estava dividindo a cama com o CEO por necessidade contratual.
O que eu esperava? A barricada de travesseiros era mais uma forma de garantir que as cláusulas do contrato fossem seguidas.
Só queria que ela não parecesse tanto uma placa de “Não ultrapasse”.
A luz do abajur do lado dele se apagou.
Me encolhi ainda mais no meu lado da cama, de costas para a barricada. Tentei me concentrar pra dormir, mas dava para ouvir a respiração dele do outro lado dos travesseiros.
Lenta. Controlada. Irritante pra caramba.
Uns minutos se passaram e ouvi o barulho dos travesseiros sendo movidos um a um. E jogados no chão.
— Isso é uma besteira — ele disse.
Fiquei calada. A barricada estava desfeita.
— O que o Jonas estava te falando?
A pergunta saiu do nada, no escuro, e havia algo na voz dele que me fez arrepiar. Ele não estava bravo, nem nada disso. Acho que, somado à situação, o jeito que ele falou comigo — baixinho e sem cerimônias — fez com que aquele momento fosse muito mais íntimo do que eu estava acostumada.
Olhei para ele e vi que estava deitado com as mãos no peito, olhando para o teto.
— Pouca coisa. — Endireitei os óculos por reflexo. Eu tinha me esquecido de tirá-los para dormir.
— Hm.

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