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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 76

Eu não entendia porque Valéria estava aqui. Quem tinha contado a ela onde eu estava? Eu tinha dado ordens bastante claras para Inês cuidar de Thales.

Ninguém sabia da viagem além de Márcio, Roberta e Inês. E eu duvidava muito que alguma dessas pessoas tivesse contado a ela… mas de alguma forma tinha descoberto e Valéria estava no meu escritório.

Ela andava devagar, com aquela postura de quem está fazendo questão de não ter pressa, sabendo que a presença dela era uma tortura pra mim. Não era a primeira vez que ela aparecia de surpresa na minha casa, mas sempre tinha sido diferente. O jeito de Valéria sempre foi irônico, debochado — amava me colocar pra baixo e saborear a minha humilhação, era o passatempo favorito dela, mas hoje não. Hoje ela estava quieta e séria.

Sentei na cadeira do escritório e apontei para a poltrona à frente.

— Senta, Valéria.

Ela ignorou e continuou andando pelo cômodo com os braços cruzados, os saltos batendo ritmados no piso, até parar atrás da cadeira do outro lado da mesa. Apoiou as mãos no encosto, os dedos passando pelo couro num gesto lento, deliberado. A expressão era fechada de um jeito que eu não reconhecia. Não era o ranço de costume, não era a hostilidade calculada que estava acostumado.

Valéria estava com raiva. Furiosa na verdade.

— Faltam três dias para a audiência de conciliação — ela disse, levantando o olhar para mim pela primeira vez desde que tinha entrado. — Você deveria ir se despedindo do Thales.

Dei uma risada. Não pude evitar… Quem essa mulher pensava que era pra chegar assim na minha casa, prometendo tirar meu filho de mim com tanta facilidade?

— Valéria, eu sou o pai dele. Ele mora comigo. — Apoiei os cotovelos na mesa, me inclinando levemente para frente. — Você sabe muito bem que não vai ser fácil tirar ele de mim.

— Concordo — ela respondeu, com uma calma que não combinava com a expressão do rosto. — Não vai ser fácil. Mas o juiz não vai gostar nada de descobrir que você espanca seu filho.

Parecia que eu tinha desaprendido a falar. Espancar o Thales? Essa mulher tinha ficado maluca de vez!

Nunca levantei e nem levantaria a mão pro meu filho. Nunca. Não era porque eu era um grande pai ou alguma coisa do tipo. Era só uma linha que eu não cruzaria.

Sabia o que era temer o próprio pai. Torcer para que ele chegasse tarde e fosse direto para o quarto, sem antes abrir a porta do meu.

Aprendi desde cedo a analisar a passada dele: se fossem pesadas e lentas, eu sabia que viriam na minha direção. Que ele tinha tido um dia péssimo e que descontaria em mim.

Cresci com medo de ser punido por coisas que muitas vezes nem entendia que tinha feito. E prometi para mim mesmo que jamais faria Thales passar por isso.

— Você pode me acusar de muita coisa, Valéria — falei, e minha voz saiu frágil contra a minha vontade. — Mas de erguer a mão pro meu filho, não.

Ela tirou o celular do bolso sem dizer nada e colocou na mesa, empurrando na minha direção.

Olhei para a tela e vi a foto aberta. Era o peitoral do meu filho com uma mancha roxa enorme no lado esquerdo, das costelas até quase a cintura.

Meu estômago revirou.

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