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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 79

POV Bela

Thales me contava tudo entusiasmado, gesticulando com as mãozinhas enquanto explicava como tinha ido até a casa da avó e contado tudo pra ela: que estava apanhando na escola, que tinha mantido tudo em segredo por medo de verem ele como fraco e que Vinícius nunca tinha batido nele. E também — tomando fôlego e se lembrando, super orgulhoso — que enfatizou para Valéria que estava feliz e que não queria se mudar.

O que era aquele pontinho vermelho no queixo dele? — pensei. Era ketchup? Com certeza era, conheço bem meu pai.

— Viu só? Eu disse que seu pai não iria pensar mal de você. — interrompi o monólogo dele enquanto pegava a toalha de banho. A criança tava cheirando a hambúrguer.

Estendi a toalha pra ele que pegou fazendo careta.

— Não quero tomar banho, Bela.

— Nem sempre querer é poder. Vai tomar banho que depois vamos ao cinema. Lembra?

Thales começou a fazer uma dancinha que tinha virado uma espécie de comemoração comum quando ele estava muito feliz. Sem careta dessa vez, o menino foi pro banheiro satisfeito.

Fiquei sozinha no quarto do Thales organizando a bagunça.

Meu Deus, eu tinha arrumado esse quarto ontem mesmo! Como esse menino conseguiu usar tantas meias?

Distraída, não percebi que Vinícius tinha entrado no quarto. Quando me virei, levei um susto e soltei um gritinho, que ele respondeu com uma gargalhada. Os olhos dele me fizeram tremer. Tinham uma ternura que eu ainda não tinha visto. Como se ele estivesse me admirando.

— Há quanto tempo tá aí? — perguntei, sentindo meu rosto esquentar.

— Tempo suficiente.

Olhei pra ele e sorri de canto de boca. Ele se aproximou de mim, tirou as roupas do Thales da minha mão e colocou na cama. Depois segurou minha cintura e me puxou pra junto do corpo dele. Beijou meus lábios como se fosse algo comum entre nós. Como se fôssemos mesmo um casal e essa troca de carinhos fizesse parte da nossa rotina.

Senti meu coração bater mais rápido do que pensei ser possível.

Merda.

Eu não podia me apaixonar por ele. O que seria de nós dois depois?

Depois que o prazo desse acordo terminasse, ele não iria mais querer saber de mim. Imagina se ele andaria por aí exibindo a babá feia? Eu deveria me proteger, dizer a ele que era melhor mantermos as cláusulas de pé. Afinal, eu seria a única a perder quando tudo isso acabasse.

Mas não conseguia dizer não pra ele, não agora. Não conseguia me negar viver isso, mesmo que fosse mentira e tivesse prazo pra acabar. Eu ficava repetindo pra mim mesma: só mais hoje. Só dessa vez. Depois eu falo, depois eu vou ser forte.

— Thales me disse que contou tudo pra Valéria — mudei de assunto. Vinícius concordou com a cabeça, a expressão ficando um pouco mais séria.

— É… ele falou tudo pra ela e Valéria pareceu bastante convencida — ele soltou um suspiro mais longo — não quero me iludir, mas acho que não vai usar essa acusação no processo de guarda, o que é ótimo.

Concordei com um sinal de cabeça. Ele continuava com as mãos na minha cintura.

— Ele te deu os nomes dos meninos? Os que tão batendo nele?

— Sim. Amanhã mesmo vou na escola dar um basta nisso.

Eu cheguei a abrir a boca pra falar. Estava prestes a perguntar se ele queria que eu fosse junto com ele quando ouvi o som de alguém limpando a garganta. Era Márcio.

Nós dois olhamos pra ele e Vinícius fez algo que me incomodou muito, mas não me surpreendeu. Se afastou de mim, colocando uma das mãos no bolso e desviando o olhar, claramente disfarçando.

Isso foi bom.

Bom pra que eu lembrasse que não podia continuar me enganando com isso. Márcio o chamou pra conversar e ele, mais do que depressa, seguiu o amigo sem olhar pra trás, me deixando sozinha no quarto.

POV Vinícius

O sorriso do Márcio era o mais sacana que eu tinha visto nele, e olha que a lista era extensa. O filho da mãe estava radiante. Ele entrou no escritório fechando a porta atrás de si e se aproximou devagar, as mãos nos bolsos, e a cada passo o sorriso foi ficando maior, mais sacana, mais insuportável. Era um sorriso que quase me fez perder o réu primário.

Esse filho da puta tinha que aparecer agora.

Mas é claro que ele iria surgir na minha casa, sem aviso e flagrar um momento de carinho meu com a Bela. Era uma espécie de dom.

Fiz uma nota mental: pedir para Inês me avisar toda vez que esse folgado chegasse.

Mas o que estava me matando é que eu tinha reagido mal. De novo.

Eu tinha me afastado dela como tinha feito no noivado, quando Karina apareceu. Tinha agido como se tivesse vergonha… e o que mais me feria é que eu tinha mesmo vergonha dela. Era como se o que eu sentisse por ela só fosse possível no sigilo das quatro paredes, como se fosse um segredinho meu. Uma coisa que você gosta escondido, mas, se alguém descobrir, você nega até a morte. E não me orgulhava disso. Bela não merecia. Merecia alguém melhor do que eu.

E ela não ia me perdoar tão fácil dessa vez. E com razão.

— Eu atrapalhei o casalzinho?

O sorriso sacana estava em tamanho máximo, como se Márcio tivesse engolido um cabide.

— Deixa de ser idiota.

Márcio arregalou os olhos.

— Puta merda. Vocês transaram???

Eu baixei o olhar.

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