— Bela, me espera, por favor! — a voz de Vinícius ecoou pelo corredor.
Eu andava rápido. Não sei por que eu ainda me surpreendia com essas coisas. É claro que ele teria uma mulher bonita sentada no colo dele. E, pra piorar, justo a mais malvada, a mais hostil comigo.
E eu sempre caía na conversa fiada dele.
Sinceramente, eu pensava que era melhor do que isso. Tantos anos sendo maltratada por homens bonitos… bom, por pessoas bonitas no geral, sem distinção de gênero, tudo isso pra depois cair na lábia de um bonitão que fodia bem.
E como fodia bem. Mas, ainda assim, eu não podia me deixar levar tão fácil.
Ele finalmente me alcançou, segurando meu braço e me fazendo virar pra olhar nos olhos dele. A gente estava no corredor da Lotus, e as pessoas começaram a nos observar.
Percebi de canto de olho que estávamos sendo assistidos por vários funcionários da empresa.
Achei estranho o Vinícius não estar preocupado em ser julgado, assim, tão próximo de mim. Ainda mais porque, aparentemente, a gente ia ter uma DR pública.
Vinícius Rodrigues praticamente implorando pra que eu o ouvisse… pra que a babá feia ouvisse o que ele tinha pra dizer — com plateia.
— Bela… — ele parecia desesperado de verdade. O olhar em pânico, incrédulo até. — Eu sei que sou um idiota e que já pisei na bola várias vezes, mas essa daqui eu não vou admitir, porque foi a Karina que sentou no meu colo. Aquela mulher insuportável não me deixa em paz!
Dei risada. Não consegui controlar.
Ai, coitadinho… perseguido por uma mulher gostosa. Realmente devia ser muito difícil.
— Vinícius, pelo amor de Deus… a mulher tava sentada no teu colo. Você acha que eu sou idiota?
Vinícius gesticulava desesperado, e as pessoas da empresa cochichavam entre si. Reparei que ainda mais gente tinha se acumulado ali. Tava virando uma verdadeira atração.
— Bela… — ele falou mais baixo, bem próximo de mim. — Eu sei que é difícil acreditar em mim, mas pode perguntar pra qualquer pessoa dessa empresa, pra minha secretária, pra Roberta… quantas vezes a Karina já não entrou na minha sala e ficou grudada em mim!
Ele percebeu pela minha cara que eu não tava nem aí pro sofrimento dele, que eu não acreditava de verdade. Fechou os olhos, tentou se acalmar e começou a falar de novo:
— Eu conheço ela desde criança. Ela é irmã do meu melhor amigo. Sempre foi assim… desde pequenos ela fica atrás de mim. Eu sempre evitei, sempre cortei, mas ela não desiste!
— Ninguém mandou ser irresistível — falei, meio brincando.
Nesse ponto, o desespero dele era tão grande e o espetáculo já tinha se formado de um jeito tão absurdo, com todo mundo olhando, que eu realmente estava começando a acreditar nele.

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