Aquela empresa era tão grande que, mesmo achando que já tinha conhecido tudo, ainda me surpreendia. Tinha uma cafeteria no subsolo, só para funcionários. O cheirinho de café com pão de queijo era sensacional.
Sentamos numa mesa de canto, e eu devia estar com um sorriso de boba apaixonada, porque Marina ficou me olhando, inclinou a cabeça e disse:
— Que sorriso lindo. Feliz.
— Eu… — comecei a falar qualquer coisa, pra disfarçar. Eu nem sabia que estava sorrindo.
— Cai bem em você. A felicidade. — Ela fez sinal pro atendente vir pegar nosso pedido. — Você emana coisa boa, sabe? Uma luz.
Ajustei os óculos, desconfortável com o elogio inesperado.
— Imagina, você que é muito gentil, Marina.
Marina era linda. Era o tipo de beleza que não precisava de esforço — o cabelo castanho caía perfeitamente, moldando o rosto delicado — e, ao contrário de Karina, Marina era gentil, segura da sua capacidade e inteligente o suficiente pra não precisar pisar em ninguém. E, mesmo sendo apenas a segunda vez que a via, de uma forma maluca eu sabia que podia confiar nela.
O que me fez pensar, naturalmente, numa coisa.
Por que Vinícius não se interessaria por alguém como ela?
Eram colegas há anos. Trabalhavam juntos, claramente se respeitavam. Marina era exatamente o tipo de mulher que fazia sentido no universo dele — inteligente, bonita e competente. E o jeito que ela falava o nome dele às vezes tinha uma familiaridade que eu não conseguia ignorar.
Eles já tiveram alguma coisa?
Para de ser idiota, Bela. Não é da sua conta.
— Oi. — A voz de Marina me trouxe de volta. Ela estava me olhando com um sorriso divertido. — Bela, tá tudo bem?
— Sim. — Pigarreei. — Só tava com a cabeça meio longe, pensando.
— Na Karina?
Neguei com a cabeça.
— Descobri uma situação na filial de São Carlos — desabafei com ela — uma moça tá sendo assediada pelo gerente.
— Bela, isso é muito grave!
— Sim. Mas eu e Vinícius já estamos pensando em maneiras de provar tudo o que ele fez.
Marina sorriu.
— Tenho certeza que sim.
Ficamos em silêncio um pouco, enquanto comíamos o pão de queijo e tomávamos o café fresquinho. Era agradável estar com ela.

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