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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 87

Ela ficou me olhando com uma expressão que me confundiu um pouco. Era algo que eu achava fascinante nela. Muitas vezes não sabia qual seria a reação, ela não era previsível. Costumava mudar de assunto sem avisar, fazer uma piada e levar tudo na esportiva, com coisas muito sérias. Eu realmente esperava que esse fosse o caso agora.

— O Márcio se confundiu, né? — ela perguntou, sem muita convicção. — Digo… me confundiu com outra pessoa.

Fiquei em silêncio sem saber como disfarçar. Não queria mentir pra ela e logo em seguida, Isabela percebeu.

— Então é verdade? — Isabela me olhou de frente. — Vinícius... que história é essa?

Merda.

Apertei os dedos na gravata, puxei levemente o nó pra baixo. Aquela maldita gravata… afrouxei só o suficiente pra respirar. Precisava escolher as palavras com muito mais cuidado do que o Márcio tinha escolhido as dele.

— Foi ideia do Márcio — disse, devagar. — Ele pensou que talvez fosse interessante você participar da nova campanha.

Isabela abriu a boca, surpresa.

— Campanha nova — ela falou, por fim. — Da Beleza Verdadeira?

Assenti com a cabeça. Ela soltou uma risada irônica.

Me aproximei, peguei a mão dela antes que ela desse um passo pra trás, antes que eu perdesse a oportunidade de me explicar.

— Eu não te falei nada antes porque nem pretendia fazer essa proposta — disse, tentando soar calmo, o que era consideravelmente difícil com ela olhando pra mim daquele jeito. — Foi o Márcio que ficou insistindo.

— Imagino.

A voz saiu baixa e magoada. Aquilo doeu mais do que qualquer xingamento.

— Bela... você tá brava comigo?

Ela franziu levemente o cenho, considerando. Depois disse:

— Vinícius... o que você e o Márcio ficam falando sobre mim? Pelas minhas costas?

Não esperava por essa pergunta. E dessa vez tive que mentir porque se ela soubesse o que Márcio dizia sobre ela, jamais iria me perdoar.

— Nada... nada importante. — Gaguejei um pouco, e soube que seria pouco convincente. — Essa ideia da campanha surgiu porque estávamos desesperados com as vendas baixas da última coleção, e então o Márcio pensou—

— Que seria ideal usar sua noiva feia pra alavancar as vendas?

A frase saiu sem raiva, dita com uma naturalidade de quem já estava acostumada a pensar assim de si mesma. De que as pessoas pensassem isso dela… e era isso que tornava tão difícil de ouvir.

Porque ela não estava errada. Era isso que o Márcio tinha pensado, foi isso que ele disse, quando apareceu na minha sala com mais uma ideia genial.

Senti o nó na garganta apertar.

— Sendo bem honesto, não me interessa o que o Márcio pensou. — peguei o rosto dela nas mãos, com cuidado. — Só o que eu penso.

Ela não se afastou. Isso era alguma coisa.

Senti a resistência dela diminuir um pouco. Os ombros relaxaram, o olhar ficou mais doce.

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