— Então você vai ser garota propaganda? — Juliano ajeitou os óculos enquanto dava a risada típica dele, de pato engasgado — Caramba. Quem é você e o que fez com a minha amiga?
— Ai, Juliano, não é isso. — Joguei a ecobag no sofá e sentei do lado. — É uma chance de finalmente mostrar meu talento como designer também. Vou ajudar na identidade visual da campanha.
— Claro, claro. — Ele concordou, os cachos balançando enquanto mordia o pão com geleia. — E isso não tem nada a ver com ajudar o CEO bonitão a não fracassar, né?
Senti meu rosto esquentar. Droga. Juliano me conhecia bem demais.
— Bela... tem algo mais aí. Desembucha.
— Não é nada demais. — Passei a mão no cabelo. — Claro que ajudar o Vinícius não seria tão ruim assim. Se a empresa for bem, vai ser melhor pra todo mundo. Melhor pro Thales.
Enfatizei o Thales numa tentativa de desviar as suspeitas. Não estava mentindo, minha prioridade sempre seria o bem-estar dele, mas não era só por isso. A cara do Juliano deixava bem claro que ele não estava totalmente convencido.
Mas em vez de continuar insistindo, ele desviou o olhar pro prato. Ficou quieto por um tempo, a expressão séria.
— Cuidado com esse tipo de gente. Eles gostam de se aproveitar de pessoas como nós.
O jeito que ele falou me fez prestar mais atenção. Alguma coisa tinha acontecido.
— Ju. O que foi?
Ele fez um gesto com a mão, daqueles de "deixa pra lá", mas foi ainda menos convincente que eu, momentos antes
— A Carla. Sua ex-vizinha. — Juliano deu uma pausa, visivelmente sem graça. — Mas já acabou. Eu terminei com ela.
Abri a boca em espanto.
— Como assim terminou com ela? Desde quando você e a Carla tinham algo?
— Desde uns cinco dias atrás. Durou dois dias... depois ela começou a me pedir dinheiro.
Senti o estômago revirar.
— Diz pra mim que você não deu.
Juliano ficou em silêncio.
— Juliano!
— Não muito. Mas porque eu não tinha muito pra dar mesmo.
— Você deu dinheiro pra Carla — repeti, devagar, incrédula. — Pra Carla! Como você pode ser tão burro?!

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