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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 91

Só percebi o celular sem bateria quando estava prestes a entrar no carro. Era a primeira vez que acontecia isso… o celular era como se fosse uma extensão de mim, e não poderia ser diferente, com toda a responsabilidade que a Lotus exigia. Ao longo dos anos, desenvolvi o hábito de enfiar o celular no carregador toda vez que eu tinha uma chance. Ontem, no entanto, me deixei levar e esqueci por completo de todo o caos que me cercava. Simplesmente assisti a um filme com a Bela, adormeci ao lado dela e larguei o celular no bolso. Agora cedo tive coisas mais importantes e urgentes pra fazer com ela, ainda na cama, do que me lembrar da Lotus e do maldito celular.

Entrei no carro e já avistei o cabo pra carregar, pluguei o fio antes mesmo de ligar o motor. Fiquei olhando pra tela preta. A bateria tinha acabado mesmo… nem sinal de ligar ainda. Saí do condomínio, peguei a marginal e fiz o mesmo caminho de sempre, de forma automática.

Meu pensamento foi direto pra Isabela, pra imagem dela ainda dormindo quando a despertei com um beijo. Pra mim mesmo, não tinha vergonha de admitir que era uma imagem linda… ela sem o óculos, com os cabelos soltos e nua, era como se fosse uma beleza só pra mim, algo que o resto do mundo ainda não tinha descoberto e eu me sentia tão sortudo por isso. Mas, apesar de me sentir especial por possivelmente ter sido o único a descobrir isso, queria que o resto do mundo fosse capaz de enxergá-la também. E principalmente, que Bela se visse como eu a via.

O celular piscou no suporte assim que carregou o mínimo de bateria. Um monte de notificação começou a pipocar na tela, o celular vibrava e senti meu coração acelerar, quase saindo pela boca. Merda, merda, merda.

Roberta, minha secretária, tinha me ligado dezenas de vezes, e Marina também.

Afundei o pé no acelerador. Dobrei a última esquina antes da Lotus e a visão foi pior do que eu imaginava. Carros de polícia estavam lá. Dois deles, parados na frente da entrada principal, com a porra de uma fita amarela se estendendo pelo portão. Funcionários do turno da manhã do lado de fora, olhando, sem conseguir entrar. Um policial de plantão no acesso, de braços cruzados.

Estacionei onde consegui e desci sem pensar.

Comecei a andar e não senti os próprios pés no chão. Esse negócio acontecia comigo em algumas crises, a cabeça se desconectando antes que eu entendesse o tamanho real do problema. Eu via as pessoas ali, todos aqueles rostos me olhando enquanto eu me aproximava, ouvia vozes como se estivessem mais longe. Tentei respirar fundo e focar em alguns objetos presentes ali. Dei uma risada nervosa — minha âncora tinha que ser a merda de uma fita amarela, indicando que algo grave tinha acontecido. A polícia tinha se tornado mais uma das coisas comuns que aconteciam na Lotus.

Me identifiquei pro policial na entrada, era o mesmo da outra vez, do incêndio. Ele me olhou, checou alguma coisa no celular e apontou pra um homem de terno que conversava com dois policiais mais ao fundo.

— O delegado Souza está esperando pelo senhor, me acompanhe, por favor.

Aposto que estava. Seja lá a merda que tinha acontecido, não era incêndio. Não tinha bombeiros dessa vez, mas tinha o próprio delegado. Cruzei a fita e me aproximei. Ele era mais novo do que eu esperava, uns quarenta anos; a expressão impassível.

— Bom dia… — Ele estendeu a mão. — Precisamos de algumas informações suas sobre um funcionário.

— Qual funcionário?

— Jonas Cavalcante.

Cerrei o maxilar. O que esse filho da puta tinha feito agora?

— Jonas é gerente da nossa filial de São Carlos — respondi, medindo cada palavra.

O delegado ficou um pouco em silêncio, parecendo ponderar o que dizer.

— Ele foi encontrado hoje cedo, dentro das dependências desta unidade.

Fiquei parado.

— Encontrado? — perguntei, sentindo as batidas do coração no meu ouvido. O rumo da conversa era muito pior do que qualquer pesadelo… e eu tinha muitos.

— Inconsciente. No corredor do segundo andar.

Inconsciente?!

Tá. A notícia não era nada boa, mas pelo menos ele tava vivo… ou senão ele diria logo, não é?

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