O corredor parece mais longo do que realmente é. Ou talvez seja só a sensação de estar caminhando em direção a algo que não tem volta.
Cada passo ecoa mais alto do que deveria, acompanhado por uma irritação que não diminui. Não cansa, nem enfraquece.
Só cresce.
Oliver está sedado, lutando para continuar respirando…
Porque a mãe dele, que deveria protegê-lo sempre, decidiu que, mais uma vez, o que queria era mais importante do que qualquer outra coisa.
Empurro a porta quando finalmente chego ao quarto indicado pela enfermeira da recepção. Blair está deitada na cama, cercada por aparelhos, mas consciente.
Por um segundo, não digo nada. Só puxo uma cadeira e a coloco longe dela. Distante o suficiente para não pensar em mil maneiras de deixá-la pior do que meu filho está.
— Lucas — ela diz, com a voz rouca, baixa, sem aquela indiferença que sempre teve. — Como está o Oliver?
— Sedado. Em estado grave — paro, tentando manter a calma. — Por sua culpa.
— Eu sei.
— Não — respondo, me inclinando levemente para frente. — Você não sabe. Você não viu o estado em que aquele carro ficou. Não ouviu quando os paramédicos falaram em laceração interna e estado crítico. Você não viu o sangue, Blair.
Ela não responde. Só ouve, em silêncio.
— Tudo porque ele estava sem o cinto — continuo, sentindo o maxilar travar. — Oliver é uma criança. E você saiu dirigindo na chuva, fugindo, pensando em você, como sempre, e não prendeu a porra do cinto do seu filho.
— Eu sei — ela repete, e dessa vez a voz falha.
— Se sabe, então te aconselho a falar de uma vez o que você quer — murmuro, frio. — Antes que eu esqueça de vez minha razão.
O monitor ao lado dela apita um pouco mais rápido. Ela respira fundo, como se reunisse o pouco de energia que ainda tem.
— Naquela noite — começa, devagar —, a noite do nosso casamento…
— Você me chamou para falar de…
— Só ouve — ela interrompe, e a firmeza na voz, mesmo fraca, me faz parar. — Por favor.
Fico em silêncio.
Ela olha para o teto por um momento, como se estivesse organizando palavras que nunca planejou dizer em voz alta.
— Naquela noite, nós… não fizemos nada — diz, finalmente. — O Oliver… não é seu filho.
Permaneço olhando para ela, sem demonstrar nenhuma reação por fora. Por dentro, algo desaba.
Aquela parte que, por mais impossível que fosse, se apegava ao fio de esperança de ele realmente ser meu filho.
— Você bebeu demais e acreditou que foi por isso que não se lembrava, mas… nada aconteceu — continua, sem desviar o olhar do teto. — Só organizei tudo para que parecesse diferente na manhã seguinte. Eu precisava de um plano B.
— Plano B — repito, baixo, rindo sem humor. — Sem rodeios, Blair. Quem é o pai do Oliver?
Ela não responde imediatamente.
Os olhos continuam no teto, como se dizer o nome em voz alta fosse tornar tudo mais real do que já é.
— Jasper — murmura, e a palavra pesa mais do que deveria. — Eu já me envolvia com o Jasper antes de tudo.


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