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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 170

Continuo com a mão nos cabelos do Oliver por mais alguns segundos, ouvindo o ritmo constante do monitor como se fosse a coisa mais reconfortante que já ouvi na vida.

Porque talvez seja.

Cada apito regular é uma confirmação de que ele está aqui, que continua aqui.

— Senhor.

Me viro e encontro a enfermeira que me trouxe, parada na porta.

— O tempo acabou por enquanto — diz, baixo, se aproximando.

Assinto, sem me afastar. Olho para Oliver mais uma vez.

— Quando ele vai acordar? — pergunto, sem tirar os olhos do meu filho.

— Essas próximas horas são as mais delicadas — ela responde, conferindo o monitor. — É por isso que mantemos a sedação. O corpo dele precisa de energia para se recuperar, e acordar agora exigiria um esforço que ele ainda não tem condições de fazer. Conforme a recuperação avançar, diminuiremos gradualmente até ele despertar sozinho.

— Isso significa que pode ser amanhã?

— Significa que depende dele — responde, com honestidade. — Amanhã ou em alguns dias. Isso vai depender da resposta do corpo dele.

Solto a mão do Oliver a contragosto e beijo a testa dele com cuidado.

— Volto logo, campeão.

Saio do quarto sem olhar para trás, porque sei que, se olhar, não vou conseguir sair. Ivy está no mesmo lugar, encarando o chão com o olhar perdido.

— Como ele está? — pergunta assim que me vê.

— Igual — respondo, sentando ao lado dela. — Mas é isso que deve ser por enquanto. Você pode entrar para vê-lo.

Ela concorda com a cabeça, me dá um beijo daqueles que dizem “estou aqui com você” e entra rapidamente.

Owen aparece alguns minutos depois, com outro copo de café na mão e a expressão cansada.

Ele se senta ao meu lado e ficamos em silêncio por um momento, olhando para o corredor à nossa frente.

— Lucas — ele começa, com cautela. — Sobre o que o médico disse antes da cirurgia. Você não me respondeu se vai pedir o DNA.

— Owen, agora não.

— Estou perguntando porque talvez a gente precise tratar disso em algum momento e…

— Agora não — interrompo, sem rispidez, mas deixando claro que não é hora disso. — Já disse.

Ele fecha a boca, assentindo.

— Meu filho está sedado naquele quarto — continuo, olhando para o corredor novamente. — Lutando para se recuperar de um acidente que não deveria ter acontecido. Qualquer outra conversa pode esperar.

Owen me olha por um segundo e assente. Ele sabe que essa conversa não vai acontecer agora, e isso é suficiente.

Porque minha prioridade agora tem nome. Tem quatro anos, cabelos escuros e um dinossauro favorito que provavelmente ainda está no meio dos destroços daquele carro.

Todo o resto pode esperar.

Quando Ivy volta em silêncio, fico olhando para ela por um segundo.

Não. Não consigo entrar naquele quarto sem pensar em fazer algo que com certeza não vou poder desfazer.

— Lucas — Ivy chama, baixinho.

Desvio os olhos para ela, sem responder.

— Eu entendo — ela continua, com calma. — Acredite, eu entendo. Se eu entrar naquele quarto agora, não sei do que seria capaz.

— Então você entende por que não vou.

— Entendo que você está com raiva — continua, fazendo uma pausa. — Mas pode ser importante o que ela tem a dizer… para você. E, se algo acontecer com ela… você pode se arrepender por não ter ouvido.

Fico em silêncio, olhando para o corredor.

Ivy não insiste, só espera, como sempre faz, deixando espaço para que eu decida sozinho o que precisa ser feito.

E é exatamente isso que me irrita e me acalma ao mesmo tempo.

Levanto devagar, sem pressa, sem ter certeza de que estou fazendo o certo. Owen me olha, como se decidisse se intervém ou não. Por fim, permanece sentado.

— Se eu fizer uma besteira lá dentro — digo, mais para mim do que para qualquer um deles —, foi você quem mandou.

Ivy não sorri, porque não é hora disso. Mas seus olhos dizem que ela sabe que estou fazendo a coisa certa, mesmo que ainda não pareça assim.

Viro as costas e começo a andar na direção de onde o médico veio, sentindo cada passo mais pesado que o anterior.

Porque, dessa vez… não é o meu filho que está do outro lado da porta.

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