Continuo com a mão nos cabelos do Oliver por mais alguns segundos, ouvindo o ritmo constante do monitor como se fosse a coisa mais reconfortante que já ouvi na vida.
Porque talvez seja.
Cada apito regular é uma confirmação de que ele está aqui, que continua aqui.
— Senhor.
Me viro e encontro a enfermeira que me trouxe, parada na porta.
— O tempo acabou por enquanto — diz, baixo, se aproximando.
Assinto, sem me afastar. Olho para Oliver mais uma vez.
— Quando ele vai acordar? — pergunto, sem tirar os olhos do meu filho.
— Essas próximas horas são as mais delicadas — ela responde, conferindo o monitor. — É por isso que mantemos a sedação. O corpo dele precisa de energia para se recuperar, e acordar agora exigiria um esforço que ele ainda não tem condições de fazer. Conforme a recuperação avançar, diminuiremos gradualmente até ele despertar sozinho.
— Isso significa que pode ser amanhã?
— Significa que depende dele — responde, com honestidade. — Amanhã ou em alguns dias. Isso vai depender da resposta do corpo dele.
Solto a mão do Oliver a contragosto e beijo a testa dele com cuidado.
— Volto logo, campeão.
Saio do quarto sem olhar para trás, porque sei que, se olhar, não vou conseguir sair. Ivy está no mesmo lugar, encarando o chão com o olhar perdido.
— Como ele está? — pergunta assim que me vê.
— Igual — respondo, sentando ao lado dela. — Mas é isso que deve ser por enquanto. Você pode entrar para vê-lo.
Ela concorda com a cabeça, me dá um beijo daqueles que dizem “estou aqui com você” e entra rapidamente.
Owen aparece alguns minutos depois, com outro copo de café na mão e a expressão cansada.
Ele se senta ao meu lado e ficamos em silêncio por um momento, olhando para o corredor à nossa frente.
— Lucas — ele começa, com cautela. — Sobre o que o médico disse antes da cirurgia. Você não me respondeu se vai pedir o DNA.
— Owen, agora não.
— Estou perguntando porque talvez a gente precise tratar disso em algum momento e…
— Agora não — interrompo, sem rispidez, mas deixando claro que não é hora disso. — Já disse.
Ele fecha a boca, assentindo.
— Meu filho está sedado naquele quarto — continuo, olhando para o corredor novamente. — Lutando para se recuperar de um acidente que não deveria ter acontecido. Qualquer outra conversa pode esperar.
Owen me olha por um segundo e assente. Ele sabe que essa conversa não vai acontecer agora, e isso é suficiente.
Porque minha prioridade agora tem nome. Tem quatro anos, cabelos escuros e um dinossauro favorito que provavelmente ainda está no meio dos destroços daquele carro.
Todo o resto pode esperar.
Quando Ivy volta em silêncio, fico olhando para ela por um segundo.


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