Dirijo muito mal.
É o que resmungo quando passo por outro quebra-mola e minha cabeça quase b**e no teto.
Isso porque mal dirijo. Nunca gostei muito, e normalmente não preciso, o motorista está sempre disponível.
Mas, quando ouvi as palavras do Lucas, não tive cabeça para acordar o motorista, para pedir um táxi ou para pensar em qualquer coisa além de sair de casa o mais rápido possível.
Vesti uma roupa qualquer, peguei a primeira chave que encontrei na gaveta do corredor e entrei no primeiro carro que ela abriu.
Só quando passei pelo portão é que me dei conta do que estava fazendo, mas nem cogitei voltar.
Só continuei dirigindo.
Para minha sorte, o trânsito de madrugada é vazio o suficiente para que eu chegue sem maiores surtos, embora as lembranças do trajeto sejam basicamente uma mistura de semáforos verdes e ruas molhadas.
Estaciono torto, mas estaciono.
Entro no hospital com o casaco mal fechado e o cabelo ainda bagunçado da correria. O corredor da UTI pediátrica já é familiar demais para um lugar que nunca deveria ter precisado conhecer.
Quando chego à sala de espera, encontro Lucas em pé, perto da janela, com a mesma roupa de ontem e o rosto de quem provavelmente dormiu alguns minutos na cadeira, mas não vai admitir isso.
Quando me vê entrar, ele esfrega a mão no rosto.
— O que aconteceu? — pergunto, me aproximando dele. — Lucas, o que…
— Oliver acordou.
Paro.
— Por alguns minutos. Ele abriu os olhos, ficou um tempo desorientado e então perguntou onde eu estava — continua, devagar. — Os médicos disseram que é um sinal muito positivo. Que o corpo dele está respondendo melhor do que esperavam para esse estágio. E ele perguntou por mim. Por você.
— Ele perguntou por nós dois — repito, sentindo a voz embargar.
— Sim — ele murmura, com um sorriso fraco.
Fecho os olhos por um segundo.
Ele acordou. Desorientado, cheio de fios, sem entender nada… e, ainda assim, chamou por nós.
— Eu disse que ligaria se houvesse qualquer mudança — ele explica, como se estivesse se desculpando pelo susto que me deu. — E, como houve…
— Pode ver ele?
— Pode. Está dormindo de novo, mas o médico disse que os próximos despertares vão ser mais longos conforme o corpo for respondendo.
Assinto, olhando para ele de verdade pela primeira vez desde que entrei.
Olheiras fundas, ombros tensos de quem claramente passou horas sendo forte sem ter com quem dividir… Lucas continua em pé por milagre.
— Vai para casa — digo, por fim.
— Estou bem.
— Você está de pé, o que não é a mesma coisa — corrijo, com calma. — Daqui a pouco, seu filho vai acordar de novo e, quando isso acontecer, você precisa estar inteiro, não destruído.
Ele me olha com aquela expressão de quem quer rebater, mas não encontra argumento suficiente.
— Vou ficar com ele — continuo. — Te ligo se algo mudar. Prometo.
— Você usou minha própria frase contra mim.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO