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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 172

Fico olhando para o monitor por um segundo.

Para a linha reta que não oscila, não falha, não tenta voltar. Só permanece imóvel. Definitiva.

Por um momento, não me levanto, não me aproximo e nem digo nada. Até porque não há nada para dizer.

A mulher que acabou de morrer naquela cama é a mesma que destruiu a minha vida com uma mentira.

A mesma que colocou o meu filho em um carro, numa noite de chuva, sem cinto, sem cuidado, sem pensar em nada além de si mesma.

E, ainda assim… é a mãe dele.

É estranho.

Não sinto alívio, nem sinto tristeza. Não sinto nada que consiga nomear agora.

Só sinto o peso de tudo que ela disse ainda pairando no ar do quarto, misturado ao cheiro de hospital e ao som daquele apito que não para.

A porta se abre, batendo com força contra a parede, finalmente me trazendo de volta à realidade.

A enfermeira entra primeiro, depois um médico, depois outro. Movimentos rápidos, vozes alteradas, equipamentos sendo puxados com aquela urgência que existe mesmo quando todos já sabem o resultado.

— Senhor, preciso que saia — alguém diz, com a mão no meu ombro. — Agora.

Não rebato. Me levanto devagar, como se meu corpo ainda estivesse tentando decidir se as pernas funcionam, e deixo que o movimento das pessoas ao redor me empurre naturalmente em direção à porta.

Saio sem olhar para trás.

O corredor me recebe com aquela frieza branca de sempre, indiferente ao que acabou de acontecer do outro lado da porta.

Fico parado por um momento, encostado na parede, com as mãos nos bolsos e os olhos no chão.

Blair está morta.

Oliver não é meu filho biologicamente.

Jasper é o pai.

As informações existem na minha cabeça com uma clareza estranha, como se fossem fatos sobre outra pessoa, sobre outra vida, sobre uma história que estou lendo de fora.

Mas não estou de fora.

Estou aqui, nesse corredor, com o chão frio sob os pés e o apito daquele monitor ainda ecoando de algum lugar dentro de mim.

Respiro fundo. Depois de novo. Até o ar entrar e sair sem travar no meio. E começo finalmente a andar.

Ivy se levanta quando me vê virar o corredor. Owen também, mas ela chega primeiro.

— Como foi? — pergunta, procurando meu rosto como se a resposta estivesse lá antes das palavras.

— Ela morreu — digo, direto.

Ivy pisca, arqueando as sobrancelhas.

— O monitor disparou quando eu ainda estava lá dentro. Os médicos entraram, me mandaram sair — faço uma pausa, respirando fundo. — Mas acredito que não tenha mais volta.

Ela fica em silêncio por um segundo, sem desviar os olhos de mim.

— Como você está se sentindo?

A pergunta é simples. Deveria ter uma resposta simples.

— Não sinto nada. Nem raiva, nem alívio, nem tristeza — respondo, honesto. — Só tenho aquela sensação inevitável de que o destino encontrou uma maneira de puni-la por tudo que fez. E pronto.

172. Era Só Isso Que Faltava. 1

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