“Ivy Collins”
O buquê ainda está nas minhas mãos quando percebo que estou sorrindo de um jeito que não planejei.
É branco, com flores pequenas e perfume suave, e chegou até mim com uma força que fez todo mundo ao redor rir e aplaudir como se fosse um sinal do universo.
Talvez seja.
— Olha quem pegou — Tiffany comenta, ao meu lado. — Que surpresa.
— Foi sorte — respondo, olhando para o buquê.
— Claro que foi.
Levanto os olhos e encontro Sophia do outro lado do jardim, ao lado de Blake, me observando com um sorriso satisfeito.
Lucas se aproxima de mim e segura minha mão, me olhando com aquela atenção que ainda me pega de surpresa depois de anos, mesmo depois de tudo que construímos juntos.
— Vem comigo — diz, me puxando.
Assinto, sem questionar.
Ele me leva para longe da festa, até parar em um canto do jardim, onde as luzes são mais suaves e o som da música chega abafado.
— Você está bem? — pergunto, preocupada com a urgência.
Lucas não responde de imediato. Só me olha, do jeito que faz quando está organizando as palavras com mais cuidado do que o normal.
— Lembro de ter te dito, há três anos, que esperaria — começa, devagar. — Que havia coisas que você precisava realizar antes de qualquer próximo passo. Que eu não queria ser o motivo pelo qual você adiasse nenhum dos seus sonhos.
Paro de respirar por um segundo, apertando o buquê nas mãos.
— Eu disse isso e quis dizer cada palavra — continua, fazendo uma breve pausa. — E você foi. Você entrou na NYU, passou por tudo que precisava passar, se tornou quem eu sempre soube que seria. E eu estive aqui, vendo isso acontecer. Sendo parte disso de alguma forma.
O olhar dele permanece preso ao meu, e sinto meu peito apertar de um jeito que me dá vontade de chorar de felicidade.
— O que não planejei foi perceber, ao longo de cada um desses anos, que não quero só estar aqui — completa, sorrindo de lado. — Quero que você saiba, oficialmente, que é minha. Que carrega meu nome. Que, quando alguém perguntar quem é a mulher do Lucas Sinclair… não vai restar nenhuma dúvida.
Sorrio, sentindo as lágrimas se formarem nos meus olhos.
Lucas coloca a mão no bolso do paletó e tira uma caixa pequena, escura, que abre devagar.
O anel é simples e perfeito ao mesmo tempo, com aquele equilíbrio que é a marca de tudo que ele escolhe. Nada excessivo, nada que precise gritar para ser visto.
— Ivy Collins Harris — diz, baixo. — Você quer se casar comigo?
Por um segundo, só fico olhando para ele.
Então minha mente volta, sem que eu consiga impedir, para uma noite de três anos atrás.
Para os meus vinte anos, quando ele abriu uma caixa parecida com essa e meu coração acelerou, enquanto minha razão me lembrava de que ainda não era hora.
Senti aquele medo de que era cedo demais, de que eu não estava pronta, de que ainda havia tanto que eu precisava ser antes de me tornar a esposa de alguém.
Ele compreendeu, como sempre, e colocou o colar no meu pescoço. A joia nunca mais saiu.
Hoje, olhando para ele no jardim iluminado do casamento da Sophia, com o buquê ainda nas mãos e um anel me esperando, não sinto mais aquele medo.
Apesar de saber que ainda faltam alguns anos até me formar e finalmente exercer o sonho pelo qual estou batalhando tanto… sinto outra coisa.
Que é exatamente isso. Que é aqui, que é ele, que é agora.

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