Blake pega minha mão antes que eu consiga protestar, finalmente me trazendo de volta à realidade.
Ele a vira devagar, examinando as pontas dos meus dedos com uma atenção que não combina com o homem irritante que passa o dia inteiro me dando ordens.
Sim, minha pele arde. Mas o que realmente me desestabiliza é o calor da mão dele, calejada, grande, absurdamente estável.
Como se eu fosse algo frágil que ele foi treinado para proteger, não para tocar.
— Não é grave — diz, após alguns segundos. — Superficial. Vai arder por um tempo, mas nada que precise de médico.
Sem aviso, ele me puxa para a pia, e o corpo dele fica perto o bastante para eu sentir o perfume amadeirado vindo de sua camisa.
— Sei cuidar de um dedo queimado, sabia?
— Prefiro não arriscar — responde, abrindo a torneira com a mão livre.
A água fria b**e na pele, aliviando a ardência. Ainda assim, meu pulso continua acelerado no ponto exato onde os dedos dele ainda me seguram.
— Fique aí por alguns minutos — diz, finalmente me soltando.
Ele se afasta, enquanto fico com a mão sob a água, sentindo o frio anestesiar aos poucos a ardência… e, com ela, aquela reação absurda que não tem nada a ver com a queimadura.
Viro a cabeça para o lado e o vejo em frente ao fogão, observando o vídeo que continua mostrando a mulher sorridente.
— Macarrão ao molho de ervas — murmura, se virando para me encarar. — Era isso que você estava tentando preparar?
— Sim. Parecia um prato simples — respondo, com toda a dignidade que consigo reunir. — E eu teria conseguido, se não fosse esse… pequeno incidente.
— Você colocou fogo na frigideira.
— Sei o que fiz, obrigada.
— E tentou apagar com um pano de prato. Não é o método correto para abafar chama de gordura.
— Você está me dando uma aula de segurança na cozinha agora?
— Estou explicando o óbvio — rebate, se aproximando de mim novamente. — Com que frequência a senhorita cozinha?
Desvio os olhos para os dedos queimados, que agora parecem super interessantes.
— O suficiente — respondo, baixinho.
— Suficiente para quase morrer asfixiada?
— Olha só… — começo, fechando a torneira. — O fato de eu não cozinhar sempre não significa que eu não sei cozinhar. São coisas completamente diferentes.
— A senhorita sabe cozinhar?
— Sei o suficiente para…
— Sophia.
Mordo o lábio, parando de falar. Novamente meu nome e isso, de certa forma… me desarma de um jeito irritante.
— Nunca cozinhou na vida, certo?
— Tive pessoas para isso. Sempre — confesso, pegando outro pano de prato para secar as mãos. — Não é algo que eu precise fazer.
— Até hoje.
— Até hoje — repito, com um sorriso que é mais careta do que outra coisa. — Porque alguém decidiu que eu não posso sair para comer como uma pessoa normal.
Ele desvia o olhar para o fogão, avalia a situação por um segundo e então faz algo que não estava no meu roteiro:
Retira o terno, dobra as mangas da camisa e aponta para a banqueta da ilha.
— Senta — diz, quase como uma ordem.
— O que?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO