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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 224

Blake pega minha mão antes que eu consiga protestar, finalmente me trazendo de volta à realidade.

Ele a vira devagar, examinando as pontas dos meus dedos com uma atenção que não combina com o homem irritante que passa o dia inteiro me dando ordens.

Sim, minha pele arde. Mas o que realmente me desestabiliza é o calor da mão dele, calejada, grande, absurdamente estável.

Como se eu fosse algo frágil que ele foi treinado para proteger, não para tocar.

— Não é grave — diz, após alguns segundos. — Superficial. Vai arder por um tempo, mas nada que precise de médico.

Sem aviso, ele me puxa para a pia, e o corpo dele fica perto o bastante para eu sentir o perfume amadeirado vindo de sua camisa.

— Sei cuidar de um dedo queimado, sabia?

— Prefiro não arriscar — responde, abrindo a torneira com a mão livre.

A água fria b**e na pele, aliviando a ardência. Ainda assim, meu pulso continua acelerado no ponto exato onde os dedos dele ainda me seguram.

— Fique aí por alguns minutos — diz, finalmente me soltando.

Ele se afasta, enquanto fico com a mão sob a água, sentindo o frio anestesiar aos poucos a ardência… e, com ela, aquela reação absurda que não tem nada a ver com a queimadura.

Viro a cabeça para o lado e o vejo em frente ao fogão, observando o vídeo que continua mostrando a mulher sorridente.

— Macarrão ao molho de ervas — murmura, se virando para me encarar. — Era isso que você estava tentando preparar?

— Sim. Parecia um prato simples — respondo, com toda a dignidade que consigo reunir. — E eu teria conseguido, se não fosse esse… pequeno incidente.

— Você colocou fogo na frigideira.

— Sei o que fiz, obrigada.

— E tentou apagar com um pano de prato. Não é o método correto para abafar chama de gordura.

— Você está me dando uma aula de segurança na cozinha agora?

— Estou explicando o óbvio — rebate, se aproximando de mim novamente. — Com que frequência a senhorita cozinha?

Desvio os olhos para os dedos queimados, que agora parecem super interessantes.

— O suficiente — respondo, baixinho.

— Suficiente para quase morrer asfixiada?

— Olha só… — começo, fechando a torneira. — O fato de eu não cozinhar sempre não significa que eu não sei cozinhar. São coisas completamente diferentes.

— A senhorita sabe cozinhar?

— Sei o suficiente para…

— Sophia.

Mordo o lábio, parando de falar. Novamente meu nome e isso, de certa forma… me desarma de um jeito irritante.

— Nunca cozinhou na vida, certo?

— Tive pessoas para isso. Sempre — confesso, pegando outro pano de prato para secar as mãos. — Não é algo que eu precise fazer.

— Até hoje.

— Até hoje — repito, com um sorriso que é mais careta do que outra coisa. — Porque alguém decidiu que eu não posso sair para comer como uma pessoa normal.

Ele desvia o olhar para o fogão, avalia a situação por um segundo e então faz algo que não estava no meu roteiro:

Retira o terno, dobra as mangas da camisa e aponta para a banqueta da ilha.

— Senta — diz, quase como uma ordem.

— O que?

Quando me dou conta, estou reparando na forma como os músculos dos braços dele se tensionam enquanto ele mexe a panela. Nas mangas dobradas até o cotovelo, deixando as veias evidentes.

Coisa ridícula de reparar.

Desvio o olhar rápido demais, como se tivesse sido pega fazendo algo que não deveria.

— Onde você aprendeu a cozinhar? — pergunto, antes de conseguir me segurar.

— Sobreviver exige algumas habilidades básicas — responde, sem olhar para mim.

— Cozinhar é sobreviver agora?

— Comer é — corrige, colocando a massa na água fervente. — E depender de terceiros nem sempre é uma opção.

— Para mim, sempre foi — admito, cruzando os braços sobre a ilha. — Nunca entrei numa cozinha para fazer mais do que pegar uma garrafa de água ou roubar uma taça de vinho da geladeira.

Ele vira a cabeça o suficiente para me olhar de lado. Não é julgamento. É quase… diversão.

— Então, hoje foi sua estreia oficial.

— E quase terminei em chamas. Parabéns pra mim — respondo, fazendo uma reverência dramática sentada no banco. — Se eu soubesse que refogar alho era uma atividade de alto risco, teria aceitado a sugestão do delivery.

Blake solta um som baixo que pode ser uma risada ou só ar saindo pelo nariz. Difícil decifrar esse homem.

— Pelo menos tenho um mordomo armado — provoco, mas meu tom sai mais baixo do que eu pretendia. — Que controla tudo, me protege e ainda cozinha.

— Faz parte do trabalho — diz, voltando a atenção para o molho.

— E o que não faz parte, Sr. Reeve?

Blake para de mexer o molho e vira o corpo devagar, me encarando. O silêncio se instala por dois segundos inteiros até ele finalmente responder.

— Você.

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