Blake continua ao telefone, de costas para mim, com aquela postura fechada que já aprendi a identificar como “estou verificando algo e não vou te dizer nada ainda”.
— É o Owen. Ele é meu amigo — digo, parando na frente dele. — Pode deixá-lo subir.
— O protocolo exige verificação com…
— É o Owen Hartley — interrompo, devagar. — Melhor amigo do meu irmão, meu amigo há mais de dez anos.
Ele me olha por um segundo, depois volta ao telefone sem ceder.
Fico parada, assistindo enquanto ele liga para o Lucas com aquela calma que consegue me tirar do sério. Ouço o tom da chamada, a espera, e então a voz do Lucas do outro lado, um pouco apressada.
Blake faz uma pergunta curta, escuta, responde com seus monossílabos e desliga.
— O Sr. Sinclair autorizou — diz para o segurança à sua frente. Depois, pega o rádio e continua: — Pode liberar a entrada dele.
Me controlo para não sorrir, satisfeita. Fico parada com a expressão mais neutra que consigo, enquanto o outro segurança sai do apartamento.
— Você sabe que isso foi desnecessário, Blake — digo, quando ficamos sozinhos.
— Nada é desnecessário quando envolve sua segurança, Sophia.
— Ele não é uma ameaça.
— Todo mundo é uma variável — responde, sem olhar para mim.
— Você deve ser muito divertido em festas.
— Não costumo frequentar festas.
— Mas que surpresa... — murmuro, revirando os olhos.
O som do elevador privativo subindo interrompe nossa conversa. Fico parada, esperando, ansiosa.
Quando as portas finalmente se abrem e Owen aparece, com aquele sorriso tranquilo, nem eu mesma reconheço minha reação.
Me jogo nos braços dele antes mesmo de ele atravessar a soleira. Owen deixa a mochila no chão antes de me envolver com os dois braços.
— Calma, baixinha — ele ri, me abraçando com força. — Vai me esmagar assim.
— Não vou. — Aperto mais. — Fica quieto.
Ele obedece, rindo baixinho. Por alguns segundos, nenhum dos dois fala, e eu percebo o quanto rostos familiares fazem falta. O quanto eu estava fingindo que não faziam.
Quando me afasto, pisco rápido e endireito a postura, como se nada tivesse acontecido.
— Por que ninguém me avisou que você estava vindo? — pergunto, franzindo as sobrancelhas. — Fiquei sabendo agora, pela câmera.
— Porque o Lucas vai precisar visitar a filial de Boston amanhã — responde, dando de ombros. — Daí, preferi vir hoje no jatinho do que enfrentar um voo comercial amanhã.
— Ah, então foi isso que meu irmão tentou falar antes da Tiffany chegar e interromper nossa conversa.
— Provavelmente. E, com a correria, ele esqueceu de avisar à segurança e me deixou esperando lá embaixo, com aqueles homens que me encararam como se eu fosse um terrorista.
— Isso é normal, acredite.
Ele pega a mochila do chão, entra no apartamento e para na sala, olhando ao redor com atenção, girando devagar como se estivesse avaliando cada detalhe.
— Nada mal — comenta, passando a mão pela nuca. — Confinamento de luxo.
— Não se empolga — respondo, cruzando os braços. — Continua sendo confinamento.
Rindo, ele olha para Blake, que está perto da janela, com aquela presença que torna impossível ignorá-lo.
— Reeve — Owen diz, com um aceno curto.

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