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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 223

Blake me encara por tempo suficiente para eu já saber a resposta.

Mas, ainda assim, espero.

Porque uma parte de mim, aquela pequena, quase inexistente, ainda acredita que, dessa vez, ele pode simplesmente concordar. Dizer que sim. Que vamos sair como duas pessoas normais fariam.

Mas Blake não é normal. E nada na minha vida tem sido normal desde que ele entrou nela.

— Não.

— Não?

— Não — ele repete, como se a primeira vez não tivesse sido suficientemente clara. — Ainda estou mapeando os acessos, os pontos cegos, as rotas. Menos de quarenta e oito horas não é tempo suficiente para garantir segurança fora deste apartamento.

— Estou pedindo para ir a um restaurante, Sr. Reeve. Não para entrar em zona de guerra.

— Para mim, qualquer ambiente não mapeado é exatamente isso.

Fecho os olhos por dois segundos, respirando pelo nariz.

— Então é isso? — pergunto, abrindo os olhos. — Vou ser obrigada a comer aqui? De novo?

— Sim. A senhorita pode pedir o que quiser — responde, com aquela voz calma que sempre me dá vontade de jogar algo nele. — Qualquer restaurante da cidade. Posso pedir para…

— Não.

Ele para, esperando que eu continue.

— Não quero delivery, nem comida de sacola, nem nada desse tipo — digo, devagar, para não restar dúvida. — Quer saber? Já que não posso sair, vou cozinhar.

O rosto dele muda, quase imperceptivelmente, mas muda.

— Cozinhar.

— Isso. C-o-z-i-n-h-a-r — soletro, forçando um sorriso. — Estou no meu apartamento, tem uma cozinha equipada, e sou perfeitamente capaz de preparar minha própria comida sem precisar de você nem de ninguém.

Viro as costas para ele e me afasto, deixando claro que a conversa acabou.

Entro na cozinha e paro em frente à ilha, olhando para o fogão como se ele fosse um objeto de outra civilização.

— Certo — murmuro, prendendo os cabelos num coque improvisado. — Consigo fazer isso.

Afinal, as pessoas cozinham todos os dias. Tem até gente que gosta. Deve ser simples.

Pego o celular e digito “macarrão ao molho de ervas fácil e rápido”. O YouTube me devolve quarenta e três resultados.

Escolho o que tem mais visualizações e o título mais tranquilizador, que promete “qualquer pessoa consegue fazer” em letras maiúsculas.

Coloco o celular em pé no porta-temperos, aperto play e começo a assistir enquanto abro os armários em busca dos ingredientes.

Tem macarrão, temperos, alho, azeite… o básico.

— Perfeito — murmuro, fingindo uma confiança que não existe.

O vídeo diz para refogar o alho no azeite em fogo médio.

Fácil.

Coloco a frigideira no fogão, despejo azeite sem medir muito, jogo o alho picado e ligo o fogo.

Depois, coloco a água para o macarrão ferver em outra panela, volto para o vídeo e procuro o próximo passo.

O cheiro de alho queimando chega antes mesmo de eu perceber o que está acontecendo.

Olho para a frigideira e vejo o alho marrom-escuro. Quase preto.

— Não, não, não — murmuro, tentando mexer com a colher, abaixando o fogo tarde demais.

No segundo seguinte, Blake invade a cozinha tão rápido que nem consigo acompanhar seus movimentos.

Ele segura meu braço e me puxa um passo para trás, me afastando do fogão como se eu fosse a coisa mais perigosa da cozinha.

— Se afasta — ordena, num tom baixo e direto.

Antes que eu consiga responder, ele já está à minha frente. Desliga o fogo com um movimento rápido, pega a tampa da panela do macarrão e cobre a frigideira em chamas, abafando o fogo em segundos.

Silêncio.

Meu coração continua acelerado demais para acompanhar.

Blake finalmente se vira para mim, e seus olhos descem direto para a minha mão.

— Me deixa ver — diz, num tom que deixa claro que não é um pedido.

— Estou bem — respondo, fechando a mão instintivamente.

— Sophia.

É a primeira vez que ele usa meu nome sem o “Srta. Sinclair”, e isso me faz levantar o rosto para encará-lo, surpresa. Mas, no segundo seguinte, a surpresa dá lugar a outra coisa.

Meu coração, que já estava acelerado pelo susto, resolve piorar a situação.

Porque Blake está perto demais. Consigo ver os riscos verdes cortando o azul intenso dos olhos dele, o maxilar travado, a respiração controlada que não combina com a intensidade do olhar.

Perto o suficiente para me deixar… completamente sem palavras. E isso me irrita mais do que o fogo na frigideira.

Porque, por um segundo absurdo, não penso em me afastar.

Penso no contrário.

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