“Lucas Sinclair”
— Você está uma merda hoje, irmão.
Paro no meio do movimento, olhando para Owen com a expressão mais neutra que consigo.
— Obrigado pela análise não solicitada, Owen. Foi extremamente útil.
Ele ri, se apoiando no taco de golfe enquanto observa minha bola ir parar longe do buraco.
— Sério, o que está acontecendo? — insiste, tirando os óculos escuros. — Você está distraído. E o Lucas que conheço não fica distraído.
— Estou cansado — respondo, caminhando até a bola. — Tive uma semana difícil.
— Difícil como? — ele pergunta, me acompanhando. — Perdeu um contrato de milhões? A bolsa despencou? Descobriu que seu café da manhã não era orgânico?
— Engraçadinho.
— Eu sei — ele sorri. — Por isso você me aguenta há tantos anos.
Chego até a bola, posiciono o taco e acerto.
Dessa vez, vai mais perto.
— Melhorou. Mas continua péssimo para os seus padrões.
Ignoro e me preparo para a próxima tacada.
Mas sim, ele está certo.
Estou distraído e não deveria estar.
Não consigo ignorar o incômodo que ando sentindo desde que Ivy decidiu me evitar. O que é extremamente ridículo, considerando que ela está apenas fazendo o que mandei.
Manter distância e fingir que nada aconteceu entre nós.
Balanço a cabeça, tentando me concentrar, e acerto a bola.
Ela voa… e cai longe do alvo.
Owen assobia baixo, mas não provoca.
Seguimos para o próximo buraco em silêncio, embora eu sinta o olhar dele grudado em mim.
— É trabalho? — ele pergunta finalmente, quando paramos no tee. — Algum problema com investidores?
— Não.
— Blair?
— Sempre — murmuro, posicionando a bola.
— Oliver?
— Muito mais calmo.
Meu amigo estreita os olhos, assentindo.
— Ah… — solta, satisfeito, como se tivesse acabado de resolver um caso de homicídio. — Então, é sobre a babá nova.
Aperto o taco com mais força do que deveria.
— Não é sobre ninguém, porra.
— Claro que não — ele rebate, com o sarcasmo escorrendo. — Por isso você está jogando como um estagiário bêbado e mal consegue mirar a merda da bola.
Balanço a cabeça e acerto com força demais.
A bola voa, atravessa o campo… e some.
— Porra! — xingo, e Owen começa a gargalhar, claro.
— Sim. Definitivamente só cansaço.
Respiro fundo, guardando o taco no carrinho.
— Por quê? É sério que você está me perguntando isso, Owen? — rebato, erguendo a sobrancelha. — Ivy tem dezenove anos, porra. E é a babá do meu filho.
— Você mesmo disse que gostou daquela noite. Então, por que não aproveita que finalmente reencontrou a mulher?
— Porque você sabe que as coisas não são tão simples. Acabei de te dar dois grandes motivos. E ainda tem o terceiro.
— Qual? — ele pergunta, cruzando os braços. — Blair? Pelo amor de Deus, Lucas. Você sabe que esse não é um motivo válido.
— Mas Ivy acha que sim, e é melhor que continue assim — respondo, voltando para o carrinho. — É melhor que ela acredite que meu casamento é real. Pelo menos um de nós mantém a cabeça no lugar.
Ele me observa por alguns segundos antes de suspirar.
— Você é teimoso como uma mula, mas… vamos ver quanto tempo isso dura — murmura, guardando o taco. — Porque, de qualquer maneira, você já está ferrado, irmão.
Não respondo. Até porque, mesmo sem admitir, eu sei.
Estou completamente fodido.
Terminamos o jogo uma hora depois, com Owen vencendo, claro, e seguimos para o estacionamento.
— Quer almoçar? — ele pergunta, abrindo a porta do carro. — Tem um restaurante novo que…
— Não — corto, abrindo a porta do meu. — Preciso voltar para casa.
— Claro — murmura, balançando a cabeça. — Mais tempo pra babar na babazinha.
— Owen…
— Tá legal — ele levanta as mãos. — Não vou mais pegar no seu pé. Mas vou com você. Faz tempo que não vejo o seu moleque.
Hesito.
A última coisa que preciso é Owen provocando ainda mais.
Mas… talvez seja bom ter alguém por perto para me manter no eixo.

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