Vinte minutos depois, chegamos à mansão.
Assim que desço do carro, ouço as risadas do meu filho vindo do jardim e, logo depois… a voz dela.
— Cuidado, astronauta! Não suba tão alto!
— EU SOU UM FOGUETE, IVY! FOGUETES SOBEM ALTO!
Owen e eu trocamos um olhar.
— Vamos lá? — ele pergunta, rindo. — Estou louco para conhecer a bruxa que a Sophia vive falando.
Seguimos as vozes até o jardim e encontramos Ivy no meio do gramado, descalça, correndo atrás do Oliver enquanto ele escala a árvore.
Ela ri alto, e ele está radiante.
— OLHA, IVY! TÔ VOANDO!
— Você está escalando! — ela corrige, parando embaixo da árvore. — Desce um pouco, por favor!
— MAS EU QUERO VER LÁ DE CIMA!
Owen solta um assobio baixo ao meu lado e olho para ele imediatamente, irritado.
— Não.
— Não o quê? — ele pergunta, fingindo inocência.
— Nem pense em olhar para ela assim.
— Relaxa, irmão. Não pensei em nada — ele se defende, mas o sorriso não se desfaz. — Só… entendi por que você está jogando golfe como um idiota. Não julgo, viu? Eu estaria igual.
Antes que eu possa xingar o filho da mãe, Ivy finalmente percebe nossa presença. Ela vira o rosto, e nossos olhares se encontram.
Por um segundo, quase sorrio ao ver suas bochechas coradas, porque, por mais que ela tente disfarçar, isso é sinal de que ainda mexo com ela de algum modo.
— Oliver, seu pai chegou — ela diz, desviando o olhar rapidamente.
— PAPAI! — ele grita, acenando lá de cima. — OLHA COMO EU TÔ ALTO!
— Estou vendo, garotão — respondo, me aproximando. — Mas acho melhor descer antes que sua babá tenha um ataque.
— Não vou ter um ataque — ela murmura, mas pela expressão, falta pouco.
Oliver desce devagar, pulando os últimos galhos com uma agilidade que faz Ivy dar um passo à frente, pronta para aparar.
Mas ele cai em pé, vitorioso.
— CONSEGUI!
— Parabéns, astronauta — ela diz, claramente aliviada.
Oliver corre até mim, e eu o pego no colo.
— Como foi o golfe, papai?
— Perdi feio — admito.
— Verdade — Owen confirma, se aproximando. — Seu pai jogou horrivelmente hoje.
Oliver ri, e Owen bagunça o cabelo dele.
— Você deve ser a famosa Ivy — ele diz, estendendo a mão.
Ivy hesita um segundo antes de apertar.
— Prazer, senhor…?
— Owen Hartley — ele se apresenta, sorrindo. — Advogado e melhor amigo desse cara aqui.
— Prazer, Sr. Hartley — ela responde, soltando a mão.
— Só Owen, por favor.
— Ela cuida do Oliver — interrompo. — E Oliver vai para onde quiser nesta casa. Se você quer privacidade, talvez devesse trancar as portas dos lugares que não quer que ninguém entre.
O rosto dela empalidece e percebo que acertei precisamente.
Claro que o surto é por algo que Ivy viu ou ouviu. Agora, minha adorável esposa está com medo de alguém arranhar sua reputação de mulher perfeita.
— Blair, não vou demitir a babá só porque você quer — continuo, já cansado. — Especialmente por motivos vagos e sem fundamento.
Blair me encara por longos segundos, com os olhos brilhando de raiva.
— Essa garota pode acabar com a nossa reputação, Lucas — ela sussurra. — Ela pode perceber que…
— Que não somos a família perfeita que você vende por aí? — corto, levantando a sobrancelha. — Que nosso casamento é fachada? Que você mal olha para o nosso filho?
Ela respira fundo, mas não rebate.
— Demita essa garota — repete, firme. — Ou faço isso eu mesma.
— Não, você não vai — digo, dando um passo à frente. — A semana de experiência acaba amanhã e sou eu quem decide. Não você.
Blair ri, sem humor.
— Depois não diga que não avisei que essa garota é um problema! — vocifera, antes de sair e bater a porta com força.
Suspiro pesadamente e passo a mão no rosto, exausto.
Olho pela janela e vejo Ivy rodando Oliver no ar enquanto ele gargalha.
Metade de mim quer mantê-la ao lado dele, só para preservar o sorriso dele.
A outra metade, a mais racional, me lembra dos riscos que essa decisão pode trazer.
E, pela primeira vez, penso:
Que porra eu vou fazer?

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