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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 23

“Ivy Collins”

Observo Lucas desaparecer dentro da casa atrás de Blair, e meu estômago se contorce.

Sei exatamente do que ela vai falar.

De mim.

Depois do que vi mais cedo, não precisa ser um gênio para saber que, mais do que nunca, Blair quer me ver longe daqui.

— A Blair parece brava — Oliver comenta ao meu lado, franzindo a testa.

Forço um sorriso e me abaixo até ficar na altura dele.

— Provavelmente ela só está com… fome. Você também fica mal-humorado quando está com fome.

— Eu não fico nada! — ele protesta, indignado.

— Fica sim. Um astronauta ranzinza — Provoco, apertando de leve o nariz dele.

Oliver ri e sai correndo pelo jardim, já esquecendo completamente o assunto.

Suspiro, aliviada, e me levanto. É quando percebo que Owen continua parado, me observando. Ele inclina a cabeça, lança um olhar rápido para Oliver pendurado na árvore e volta a me encarar.

— Impressionante, viu — murmura. — Oliver conversou com você. Sem mostrar a língua, sem acertar sua cabeça com algum brinquedo… Sophia disse que você tinha jeito com ele, mas confesso que achei que ela estava exagerando.

— Talvez seja a forma como eu… consigo entender o pequeno — respondo, sorrindo sem jeito. — Além disso, ele não é tão terrível assim, Sr. Hartley.

— Owen — ele corrige, naquele tom descontraído. — E, sim, há algum jeitinho aí. Ou bruxaria, como a Sophia comentou.

— Não sou bruxa, juro — digo, tentando não rir.

— Não? — ele rebate, arqueando a sobrancelha. — Sabe, Ivy… Lucas exigia mestrado em educação infantil, fluência em três idiomas, experiência em pedagogia Montessori… e quem conseguiu a vaga? Uma garota de dezenove anos que invadiu o escritório dele. Bruxaria, não?

Abro a boca para me defender, mas ele levanta a mão, rindo.

— Não estou julgando. Estou impressionado. E curioso.

— Curioso?

— Sim — responde, se aproximando e encostando no tronco da árvore. — O que leva alguém tão jovem a ficar tão… desesperada por um emprego a ponto de invadir uma das principais empresas dos Estados Unidos?

— Eu… preciso desse dinheiro — respondo, evasiva.

— Todo mundo precisa de dinheiro, Ivy — ele rebate, mas o tom não é de julgamento. É quase… gentil. — Mas nem todo mundo invade prédios corporativos.

Mordo o lábio, desviando o olhar para Oliver, que agora corre pelo gramado com os braços abertos, como se fosse um avião.

O tom de Owen não é acusatório, é mais… curioso.

Mas sabe o que aprendi nessas últimas semanas? Curiosidade quase sempre vem acompanhada de pena, algo que, sinceramente, eu já cansei de receber.

— Contas — respondo, optando por uma meia verdade. — Muitas contas.

— Contas — ele repete, como se soubesse que existe bem mais por trás disso.

— É — confirmo, voltando a olhar para Oliver. — Eu precisava de um emprego que pagasse bem o suficiente para cobrir as mais urgentes. Então, quando vi sete mil por mês, pensei: por que não tentar?

Owen fica em silêncio por alguns segundos antes de falar de novo.

— Você é de Ohio, certo?

— Sobre o Oliver. Ele disse que eu passei no teste.

— Que teste? — questiona, erguendo uma sobrancelha.

— O dele — respondo, sorrindo. — Aparentemente, todos acham que eu usei bruxaria para controlar o Oliver.

Lucas solta um sopro curto que quase parece uma risada.

— Bom, considerando que meu filho expulsou inúmeras babás antes de você… a teoria deles não é tão absurda assim.

Sorrio, mas o sorriso morre quando ele se aproxima um pouco mais. O cheiro dele invade meus sentidos e, de repente, o jardim parece menor.

— Sabe, a sua semana de experiência está acabando e… — ele começa, mas é interrompido quando Oliver grita do outro lado do jardim:

— PAPAI! IVY! OLHA! ENCONTREI UM BESOURO ENORME!

Lucas dá um passo para trás, respirando fundo, enquanto eu me controlo para não pedir que ele continue falando.

Prioridades. Claro. Não posso esquecer que minha função aqui é o Oliver.

— Vamos lá ver esse besouro antes que ele invente alguma besteira para fazer.

Assinto, seguindo seus passos até o pequeno aventureiro.

Oliver aponta para o inseto, animado, mas agora tudo o que consigo pensar é: e se o que Lucas queria dizer fosse sobre a minha demissão?

Se isso acontecer, volto para Ohio sem dinheiro suficiente. Sem casa. Sem solução.

Sem Liam.

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