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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 20

O sábado amanhece com um silêncio estranho na mansão.

Acordo com os olhos inchados, a garganta seca e aquela sensação horrível de ressaca emocional.

Pesadelos têm esse efeito.

Arrasto o corpo para fora da cama, tomo um banho para tentar espantar o cansaço e visto o uniforme no piloto automático.

Vou até o quarto dele e encontro o pequeno astronauta jogado no meio da cama, o foguete de pelúcia caído no chão.

Sorrio, pego o brinquedo e coloco ao lado dele antes de tocar seu ombro.

— Bom dia, campeão.

Ele resmunga e vira para o outro lado.

— Oliver… — tento de novo, balançando de leve. — Hora de acordar.

— Não quero — ele murmura, puxando o cobertor por cima da cabeça.

— Nem se eu disser que tem panquecas no café da manhã?

Silêncio.

Até que, devagar, a cabecinha aparece debaixo do cobertor.

— Panquecas de quê?

— De chocolate.

Ele senta na cama num pulo.

— CHOCOLATE?

— Sim — respondo, rindo. — Mas só se você levantar agora.

Oliver praticamente pula da cama e corre para o banheiro. Na velocidade da luz.

Alguns minutos depois, estamos sentados à mesa. Oliver balança as perninhas enquanto devora as panquecas que a Sra. Mallory fez.

Aparentemente, ninguém além dela e da cozinheira pode encostar no fogão.

— Essas panquecas em forma de foguetes estão gostosas — ele comenta, enfiando mais um pedaço na boca.

Olho para o prato dele e, honestamente, o formato do “foguete” é… criativo.

— Lindos foguetes — minto, me servindo café.

A Sra. Mallory me lança um olhar rápido, claramente tendo captado a ironia, mas, para o meu alívio, não responde.

— Cadê o papai? — Oliver pergunta, olhando ao redor. — Ele não vem tomar café?

— Seu pai saiu cedo — a governanta responde, arrumando uma travessa. — Foi jogar golfe.

Golfe. Claro.

Enquanto eu mal consigo manter os olhos abertos depois de uma noite de pesadelos, Lucas Sinclair está jogando golfe num sábado de manhã como se não existisse nenhuma complicação na vida dele.

Como é bom ver rico vivendo.

— Ivy? — Oliver me chama, acenando a mão na frente do meu rosto. — Você tá parecendo um panda.

— Panda?

— Sim, seus olhos estão pretos, como os de um panda.

É impossível não rir. Pelo menos as olheiras me renderam uma comparação fofa.

Depois do café da manhã, Oliver corre direto para a sala de brinquedos.

Passamos quase duas horas montando e desmontando o foguete Saturn V, encaixando peças e fingindo que trabalhamos na NASA.

Mas, conforme o tempo passa, nem o brinquedo novo consegue segurar a atenção dele, e ele vai ficando cada vez mais agitado.

Pula de um brinquedo para o outro, fala sem parar, não fica um segundo quieto…

Reconheço os sinais.

Ele está entrando no modo furacão e preciso pará-lo se eu quiser dormir cedo.

— Oliver — chamo, quando ele começa a escalar a estante pela terceira vez. — Que tal a gente brincar de outra coisa?

— De quê?

— Esconde-esconde?

Sigo pelo corredor, indo para uma área que raramente visito. Escritórios, sala de cinema, uma biblioteca…

É quando ouço vozes baixas. Abafadas.

Franzo a testa e me aproximo devagar, tentando identificar de onde vem o som.

Paro diante de uma porta entreaberta… e então vejo.

Blair está encostada na parede da biblioteca e Derek, o jardineiro, está perto demais.

A mão dele apoiada na parede ao lado do rosto dela, a mão dela no peito dele, os rostos a centímetros de distância…

Ela sorri, sussurra algo que não consigo ouvir. Ele ri, baixo, inclinando o rosto ainda mais.

Meu coração dispara enquanto meu cérebro tenta entender o que está acontecendo.

Blair… e o jardineiro?

Mas ela é casada. Com Lucas. Será que eles têm um relacionamento aberto e é por isso que Lucas a traiu e não se mostrou nada arrependido?

“Isso não é problema meu”, penso, dando um passo para trás… e, claro, esbarro com o pé em um vaso.

O barulho é baixo, quase nada, mas suficiente para Blair virar a cabeça na hora e nossos olhares se encontram.

Um segundo. Talvez dois.

Então, devagar, ela levanta uma sobrancelha como quem diz: “tic-tac… seu tempo aqui acabou.”

Engulo em seco, dou um passo para trás e…

Corro.

Viro as costas e me afasto o mais rápido possível sem admitir que estou em pânico, embora esteja.

Meu coração parece que vai explodir.

— O que eu faço? — sussurro, mordendo o lábio.

“Você não faz nada”, minha razão rebate. “Você não é nada aqui. Isso não é da sua conta. Você é só a babá!”

— Sou só a babá — repito, tentando respirar. — Mas… o que Lucas faria se soubesse?

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